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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A política dos pequeninos

Sérgio Lavos, 20.10.10
Começo a achar que Pedro Passos Coelho enganou-se no partido que escolheu liderar. Trair o grande desígnio do PSD - a reeleição de Sensei Cavaco - poderá sair muito caro ao discípulo do mestre Correia. O Orçamento de Estado? Ninharias. A queda do Governo socratino? Pormenores. O cargo de primeiro-ministro? Batatas. O Sensei precisa de ser elevado ao próximo nível de santidade.* Nem que a vaca tussa. Ou que Cristo desça à terra, como em tempos disse um conhecido professor doutor pateta.

*Claro que do país nem se fala - parece haver um ruído qualquer de fundo a perturbar a serena (e poupadinha) caminhada do líder em direcção ao nirvana. A crise, ou lá o que é; disparates sem importância; que chatice.

Os inimigos do PSD

Sérgio Lavos, 30.09.10
Uma das mais interessantes curiosidades produzidas pela crise política tem sido o ténue equilíbrio do PSD em todo este imbróglio. Sócrates rompeu as negociações para a aprovação do Orçamento, acusou Passos Coelho de chantagem, e passados alguns dias anuncia as medidas de austeridade que o PSD vinha pedindo há muito tempo. Mas como Passos Coelho continua a não ceder na posição de princípio que assumiu, as hostes cavaquistas chegam-se à frente e pressionam o líder do PSD a abster-se na votação do Orçamento, não vá o segundo mandato esfumar-se no meio do caos que a queda de um Governo provoca. Nunca tive duvidas sobre o carácter do excelso Presidente da República, mais um dos abutres da pátria, guardando na sombra os restos para si e para a sua trupe (Dias Loureiro, lembram-se?). Mas em tempos difíceis, certas ideias ainda se tornam mais evidentes. Se uma das coisas positivas nascidas da crise for a derrota de Cavaco nas presidenciais, menos mal. Há sombras que precisam de ser dissipadas, e todas as oportunidades contam.

A pestilência do osso

Sérgio Lavos, 17.08.10

Olha, olha, Pedro Santana Lopes a dizer uma
coisa sensata, pertinente e contumaz - e, de passagem, a acertar contas antigas. Pedro Passos Coelho, o salvador da pátria laranja (e, por arrasto, do partido da trela do poder, o CDS-PP), em pleno Pontal, lado a lado com Mendes Bota, ameaçando o Governo - uma bela imagem que os adversários internos do PSD (os mesmos que elogiaram a ausência de Marques Mendes e Manuela Ferreira Leite no passado) se esqueceram de criticar. Já cheira a Poder, não é?

(Via 31 da Armada - agora não se esqueçam de me chatear por fazer um link para um blogue perigosamente direitista.)

Lei da rolha? Qual lei da rolha, eles sempre foram contra ela desde pequeninos

Pedro Sales, 15.03.10
O PSD é um partido estranho. Ficámos ontem a saber, pelas reacções à famigerada lei da rolha, que todos os candidatos à liderança do partido parecem acreditar que não os vimos no Congresso. Estiveram lá, é verdade, mas parece que não tiveram nada a ver com as votações e as decisões dos delegados eleitos nas suas listas. Em calhando, ainda nos vão dizer que aproveitaram o fim-de-semana para visitar o convento e conviver com os amigos. Quem sabe. Para criticar a lei da rolha em tempo útil, e tentar alterar o rumo de uma votação que tanto parece mexer com os seus democráticos princípios, é que não foi certamente. Mas o patético exercício de desresponsabilização em que se envolveram, todos e à vez, é esclarecedor sobre a forma despudorada como esta gente fugiria a toda e qualquer responsabilização política pelos seus actos e decisões. Se é assim no partido...

Se mesmo assim não funcionar, acabamos com as sessões parlamentares

Pedro Sales, 09.12.08
Guilherme Silva, líder parlamentar do PSD durante o governo de Durão Barroso, tem a solução para terminar com o absentismo da sua bancada nas votações de sexta-feira:acabar com a sessão de sexta-feira. Fica assim o Parlamento a reger-se pelo regime já seguido por metade da bancada laranja. A semana de três dias. Pese embora a genialidade da ideia, ainda me parece que existem algumas arestas que importa limar. Se os deputados do PSD continuarem, mesmo assim, a faltar nos dias mais resgardados das tentações do fim-de-semana, será que Guilherme Silva vai aparecer a defender o fim das sessões plenárias?

O melhor mesmo é não transmitir o derby para não importunar o PSD

Pedro Sales, 13.11.08

Isto é pôr o salário mínimo nos 200 euros e ainda chegamos ao pleno emprego

Pedro Sales, 30.10.08


fotomontagem de Paulete Matos
Ferreira Leite foi ontem à SIC Notícias garantir que nunca se pronunciou contra o aumento do salário mínimo. O seu ponto é outro, diz. Com a crise que para aí vai, as empresas só conseguem aumentar os salários mais baixos do país em 24 euros se forem apoiadas pelo Estado. Isso mesmo. A mesma Manuela Ferreira Leite que nos diz que o país está de tanga e que não há dinheiro para nada quer pôr o Estado a pagar uma parte dos salários das empresas privadas, repetindo e aceitando a inaceitável chantagem da associação das pequenas e médias empresas. É para defender o emprego diz Manuela Ferreira Leite. Se assim é, não se percebe a timidez da proposta e o que impede o PSD de defender que o Estado suporte todos os salários das empresas privadas. Isso e colocar o salário mínimo nos 200 euros. Acabava logo o desemprego...