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Arrastão: Os suspeitos do costume.

E a vencedora é...

Daniel Oliveira, 07.04.08


Ao escolher no mínimo seis dirigentes por partido e podendo apenas votar-se três, o último inquérito acabou por dar um excelente retrato político dos leitores do Arrastão. E serve também para perceber, dentro de cada área política, quais são as preferência dos leitores. A escolha de três em seis, 13 ou 11 tinha este objectivo: que as pessoas votassem mesmo em políticos da sua área próxima, não desvirtuando os resultados.

Votaram 1337 pessoas. Algumas (muito poucas) não escolheram três candidatos. No total, houve 3.929 votos. Para contabilizar a influência política de cada partidos entre os inquiridos são estes votos que têm de ser contabilizados. Por aqui, mais do que saber da popularidade de cada partido, fico a saber o perfil partidário dos visitantes do Arrastão.

Assim, os seis dirigentes dos Bloco de Esquerda somaram 1129 votos, o que representa 28,7% dos votos. Se lhes juntarmos os votos em José Sá Fernandes, passa para 1293 votos (32,9%).

Os 13 dirigentes do PS somaram 814 votos (20,7%). Se lhes juntarmos os ministros independentes Teixeira dos Santos e Maria de Lurdes Rodrigues e o militante do PS e líder da UGT, João Proença, passa para os 960 votos (24,4%). Se lhes somarmos ainda a dissidente Helena Roseta fica nos 1088 votos (27,7%).

O seis dirigentes do PCP tiveram 513 votos (13,1%). Mas se juntarmos Carvalho da Silva, militante do PCP e dirigente da CGTP, passa para os 783 votos (19,9%). E se ainda lhe somarmos os votos na dissidente Luísa Mesquita passa para os 806 votos (20,5%).

Os 11 dirigentes do PSD tiveram 424 votos (10,8%). Mas juntando os votos no Presidente Cavaco Silva passa para os 551 (14%).

Os seis dirigentes do CDS somaram apenas 191 votos (4,9%).

Interessante é ver as diferenças dentro de cada área política. E aqui já podemos voltar a fazer tendo como universo o número de votantes e não de votos.

No Bloco de Esquerda, Ana Drago ficou em primeiro lugar, foi a política mais votada de todo o painel e a grande surpresa deste inquérito. Teve 403 votos. 30% dos leitores escolheram a deputada entre os seus três preferidos. Francisco Louçã vem logo a seguir, como 365 votos. 27% dos inquiridos escolheram o seu nome na lista dos seus três preferidos.E estes dois destacam-se em todo o painel. Depois vem Miguel Portas, com 164 votos (12%). Fernando Rosas teve 120 votos (9%). Luís Fazenda teve 48 votos (4%) e Helena Pinto 29 votos (2%). Se juntarmos José Sá Fernandes ao grupo, é o terceiro mais votado do BE e o sétimo do painel, empatado com Miguel Portas: teve 164 votos (foi escolhido por 12% do total de votantes, ficando muito próximo da votação de António Costa).

No PS, José Sócrates destaca-se claramente: tem 247 votos e foi escolhido por 18% dos inquiridos. Depois vem António Costa (com 170 votos e 13%) e Manuel Alegre (com 162 votos e 12%). Muito mais abaixo estão os restantes: José Vieira da Silva (3% e 45 votos); Elisa Ferreira (3% e 37 votos); Augusto Santos Silva (2% e 28 votos), Pedro Silva Pereira (2% e 26 votos), Luís Amado (2% e 23 votos); Edite Estrela (1% e 20 votos), Alberto Martins (1% e 20 votos), Jaime Gama (1% e 15 votos), Francisco Assis (1% e 15 votos - atrás de Elisa Ferreira) e Vitalino Canas (5 votos). Todos estes estão atrás dos dois ministros independentes: Texeira dos Santos (6% e 74 votos) e Maria de Lurdes Rodrigues (5% e 71 votos). O secretário-geral da UGT, João Proença, teve apenas um voto e ficou em último lugar no painel. Caso ainda fosse do PS, Helena Roseta estaria em quarto entre os socialistas, com 10% e 128 votos.

Entre os dirigentes do PCP, Jerónimo de Sousa fica em primeiro. Tem 176 votos (13%), seguido do deputado António Filipe, com 118 votos (9%), de Ilda Figueiredo (5% e 68 votos), de Bernardino Soares (5% e 62 votos), de Honório Novo (4% e 53 votos) e de Francisco Lopes (3% e 36 votos). No entanto, se contarmos com o coordenador da CGTP, Carvalho da Silva, as coisas mudam de figura. Fica bastante à frente de Jerónimo de Sousa e é o terceiro na lista dos cinquenta políticos. Teve 270 votos. Um quinto dos inquiridos votou nele. Luísa Mesquita, que é agora deputada independente, teve 23 votos (2%).

O PSD tem um vitorioso claríssimo: Rui Rio, que até ultrapassou o Presidente da República. Teve 161 votos (12%) e foi o único dirigente de direita nos primeiros 10 lugares das escolhas dos leitores do Arrastão (depreendendo-se que não terá sido pelo voto de pessoas de esquerda, que tinham muito por onde escolher). Muito depois vem Pedro Santana Lopes, com 40 votos, Pedro Passos Coelho, com 35 votos e António Capucho, com 35 votos, com 3% cada um. A lista segue: Ângelo Correia (2% e 33 votos), Fernando Seara (2% e 29 votos), José Aguiar-Branco (2% e 26 votos), Marques Mendes (2% e 21 votos), Luís Filipe Menezes (1% e 19 votos), José Ribau Esteves (1% e 14 votos) e Miguel Relvas (1% e 11 votos). Note-se que o líder do PSD é o ante-penúltimo da lista do PSD e ficou 41º da lista dos 50. Cavaco Silva é, depois de Rui Rio, o político de direita mais votado. Teve 127 votos (10%) e ficou em 12º.

No CDS acontece o memo que em todos os partidos (menos no PS): o líder é ultrapassado por outro militante. Em primeiro fica Teresa Caeiro, com 55 votos (4%). Só depois vem Paulo Portas, com 41 votos (3%). António Pires de Lima tem 37 votos (3%), Diogo Feio, com 29 votos, e Nuno Melo, com 26 votos (2% cada um) e Luís Nobre Guedes com 3 votos (ficou em penúltimo).

Assim, os grandes vencedores deste inquérito (o mais participado de sempre do Arrastão, apesar de dar um pouco mais de trabalho do que os outros), é, antes de mais, Ana Drago. E depois Francisco Louçã. O outro é seguramente Carvalho da Silva, que fica em terceiro, percebendo-se que aqui, onde há muitos leitores do BE e do PS, consegue muitos votos desta área. José Sá Fernandes fica bem e parece agradar a muitos bloquistas. José Sócrates e António Costa conseguem uma boa votação. E por fim, à direita, a vitória vai para Rui Rio. No CDS, vence Teresa Caeiro, que consegue ficar à frente de Portas.

Aqui ficam os resultados do inquérito:

[poll=14]


O próximo inquérito é sobre os Jogos Olímpicos na China. Qual seria a atitude mais correcta a ter em relação aos Jogos Olímpicos da China? O boicote; Aproveitar os Jogos Olímpicos para denunciar a violação de direitos humanos; Os países não se devem envolver nos assuntos internos da China; Não se deve confundir um acontecimento desportivo com questões políticas.

Inquérito: Iraque e políticos portugueses

Daniel Oliveira, 27.03.08
Com 305 votantes (cada um podendo dar três respostas), foi este o resultado do inquérito que marcou os cinco anos da guerra do Iraque. "A indústria de armamento" foi a resposta mais votada e a única que contou com a maioria da escolha dos leitores: 58% (176 votos).Votei fundamentalismo Islâmico, Irão e curdos.

[poll=13]



O próximo inquérito vai ficar aqui mais tempo. Trata-se de saber quais são os três políticos preferidos dos leitores do Arrastão (ou os que menos desgostam) de uma lista de 50. A lista é sempre discutível. Estão lá apenas políticos no activo (que ocupam algum cargo electivo ou de direcção partidária ou social) com alguma dimensão nacional (apesar de alguns serem pouco conhecidos da generalidade da população). Seis do BE, seis do PCP e seis do CDS. Cerca do dobro do PSD e do PS. E alguns independentes ou sem actividade partidária relevante. Mais uma vez, a lista poderia ser outra. Não podia é ser maior, que me ocupava o blogue todo. Como no inquérito anterior, pode votar em três. Agradece-se que não se repita o voto. Não votarei neste inquérito. Seria o primeiro a votar, tenho na lista mais de três amigos e não quero ferir susceptibilidades.

O preço das directas

Daniel Oliveira, 12.03.08
Os partidos rapidamente perceberão que a eleição directa dos seus líderes é um suicídio político. No partido que está no poder é indiferente. No partido que está na oposição é uma sangria. Com as directas gasta-se dinheiro, energia e racionalidade política. Fecha-se, como se tem visto no PSD, o partido em si próprio e fixam-se as oposições internas nas suas posições. As energias que deviam servir o partido servem cada uma das suas facções. A comunicação para o exterior, que deveria servir para falar do país para o país, serve para falar do partido para o partido.

Sendo má para o partido que está na oposição, as eleições directas acabam por prejudicar a democracia. Parecendo mais democráticas são menos. Porque afastando ainda mais os partidos dos cidadãos fecham a democracia nos fúteis combates internos. A verdade é esta: a eleição directa das lideranças fragiliza a oposição, torna mais difícil o controlo dos financiamentos (que hoje se faz logo nas eleições internas) e fecha os partidos ainda mais em si próprios. Partidos mais abertos são partidos que sejam um pouco menos dos seus militantes e um pouco mais dos seus eleitores/apoiantes. As directas fazem o oposto.

O resultado está à vista no PSD. A um ano das eleições e sem poder à vista assistimos à implosão do maior partido da oposição. Um dia acontecerá o mesmo ao PS. Esperemos que PS, PSD e CDS recuem neste erro histórico. Mas agora não vai ser fácil.

A contradição nos termos

Daniel Oliveira, 04.03.08
Rui Marques (ex-alto-comissário para a Imigração e Diálogo Intercultural) quer criar um partido, no "centro do centro" (já lá está um engarrafamento), para «sublinhar mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa». Alguém explique a esta boa alma que em democracia os partidos políticos servem para sublinhar aquilo que nos separa. Por isso é que são vários. Já tivemos a União Nacional, com o mesmo projecto do nosso altíssimo comissário. Não correu muito bem.

Sem maioria absoluta? Seria uma excelente ideia!

Daniel Oliveira, 29.02.08
PS: 39% (- 2% do que em Outubro de 2007)
PSD: 32% (-3%)
CDU: 9% (=)
BE: 8% (+4%)
CDS: 3% (-3%)

Eleitorado cada vez mais descontente, vira ligeiramente à esquerda. 52% considera má a actuação do governo nas políticas sociais (29% considera mesmo muito má e apenas 12% dá nota de bom).

Sondagem da Universidade Católica para o JN/Antena 1/RTP)

Agora era começar a puxar o fio do novelo

Daniel Oliveira, 20.02.08

E faz muitíssimo bem

Daniel Oliveira, 20.12.07
Jerónimo de Sousa recusa divulgar ficheiros do PCP e considera que o processo de verificação do número de filiados do seu partido tem por base uma "visão de ingerência" da parte do Tribunal Constitucional. Instado pelo DN, ontem, em Coimbra, o líder do PCP, foi claro: "Não iremos entregar nenhum desses nomes no Tribunal Constitucional". Tudo porque o secretário-geral defende, acima de tudo, o primado do "direito à privacidade dos cidadãos".

O Estado não tem que saber da filiação partidária dos cidadãos. E ao aprovar uma lei idiota e inútil que não cuida do direito à privacidade correu este risco. O PCP não entrega e os ficheiros. E agora? O Tribunal Constitucional ilegaliza o PCP? Não me parece. E não o fazendo, o que fará se os pequenos partidos extra-parlamentares lhe seguirem o exemplo e se recusarem a entregar os seus ficheiros? Trata-os de forma diferente? Espero que o PCP mantenha esta posição e torne assim esta lei impraticável. Porque é anti-democrática e viola o direito fundamental à privacidade.

Ataque à democracia

Daniel Oliveira, 16.12.07
«Em risco de poderem ser extintos caso não reúnam cinco mil militantes, sete dos partidos com menor expressão eleitoral vão recorrer à presidência da república como "garante máximo do regime democrático".»

Os sete partidos em questão contam, nesta matéria, com a minha solidariedade. A formatação dos partidos políticos e o silenciamento de minorias, por mais pequenas que sejam, é inaceitável em democracia. Nem todos os partidos valem o mesmo e é por vezes um pouco patética a exigência burocrática de que se dê ao POUS e ao PNR a mesma atenção mediática que se dá ao PS ou ao PSD. Mas a definição na secretaria do número de militantes que os partidos devem ou não ter é politicamente absurda e sem qualquer justificação prática plausível.

Em causa está a sobrevivência legal do PND, MPT, PPM, POUS, PCTP/MRPP, PDA e PNR. Os partidos devem ser exemplarmente punidos caso se dediquem a actividades criminosas para se financiarem ou para impor as suas convicções. Não devem, num Estado democrático, ser ilegalizados pelas suas ideias políticas ou pela sua dimensão.