Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
por Sérgio Lavos

"À espera dos comentários do professor Marcelo, lá papo uma reportagem da TVI sobre a educação d'antanho. Vinte ou trinta carquejas com o diploma da quarta classe recitam títulos das obras de el rey Duarte e feitos da dona Barbuda de Guimarães. O subtexto da coisa é cristalino: os meninos antigamente sabiam mais que os doutores agora, e tal.

 

Esta entronização da parolice é a moda da saison desde que o ministro Crato decidiu apresentar às criancinhas as virtudes da lavoura. Pouco importa que os jovens de 2012 saibam programar em PHP e JavaScript, que conheçam países sem entrarem neles a salto e dominem razoavelmente o inglês: para milhões de pategos lusitanos, muitos deles atarantados com os comandos da TV, a única educação que presta é a de Oliveira Salazar.

 

E isto seria apenas grave, se alguns não estivessem no Governo."

 

Luís M. Jorge.


por Sérgio Lavos
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Domingo, 4 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

 

A expressão que Joana Lopes usou no Facebook não poderia estar mais próxima daquele sentimento que a maior parte dos portugueses sente ao regressar a casa depois de uma visita a um país mais avançado - e cada vez são mais.

 

A mim aconteceu-me há uns anos, depois de uma viagem a Berlim (sim, a capital do mal). O avião aterrou às 20h00, mas depois estive à espera cerca de uma hora e meia pela bagagem; a demora habitual no maior aeroporto do país, pior do que em qualquer outro aeroporto por onde eu tenha passado, incluindo por exemplo Istambul. Enfim, sabemos que esta demora se deve à desorganização provocada pelo facto de haver duas empresas de handling a tratar da logística num aeroporto de médias dimensões, como é o caso da Portela. Um exemplo claro da norma neste país: um serviço que poderia ser feito apenas por uma empresa é entregue a um privado e tudo piora. Dizem-me que entretanto as coisas melhoraram - não viajo há algum tempo, que a crise toca a todos menos a empresas amigas do Governo e a jotinhas -, mas durante alguns anos o sucedido a mim era regra. Mas a hora e meia de espera seria o menos. Ao sair do aeroporto, e depois de fugir da fila de abutres taxistas que dão as boas vindas aos visitantes da cidade, fui para a paragem de autocarro ali perto, esperando por um transporte que me levasse à Gare do Oriente. Enquanto pensava no absurdo que era não haver ligação de Metro ao único aeroporto da cidade - o lobby dos taxistas é poderoso, sabemos e nunca ninguém teve a vontade de lhe fazer frente, em quarenta anos de Metro e de Portela -, esperei. E esperei. E esperei. Ao fim de algum tempo, percebi que já não havia o autocarro para a Gare do Oriente. A maior estação de comboios nacional, a partir das 21h30, não tem ligação regular ao aeroporto. A única maneira de lá chegar é pagando a um táxi que, se correr tudo bem, "apenas" dará uma volta pelo Campo Pequeno para nos levar ao Oriente. Ainda pensei voltar ao terminal e apanhar o tal táxi, mas estava tão furioso que decidi começar a caminhar em direcção à Gare do Oriente, na esperança de que passasse um táxi pela Avenida que atravessa os Olivais. Enquanto vou e não vou já seriam umas 22h00 e tinham-se passado duas horas desde que as rodas do avião haviam tocado a pista. 

 

Quem conhece Berlim sabe do que falo: um sistema de transportes sem nada a apontar, plena articulação entre os vários meios - metro, comboio e autocarros - pouco ou nenhum tempo de espera, transportes públicos toda a noite e, claro, ligação directa - comboio - aos dois aeroportos da cidade, a qualquer hora do dia*. Três milhões e meio de pessoas vivem na Grande Berlim, mais de três vezes a população de Lisboa. Mas pouca confusão se vê, mesmo em hora de ponta. Há milhares de berlinenses que vão de bicicleta para o trabalho - e é claro que para isso foram construídos milhares de quilómetros de ciclovias por toda a cidade. O planeamento urbano não é apenas o nome de um departamento municipal que serve para colocar amigos e boys do partido - ele existe e torna a cidade apetecível tanto para viver como para visitar. Se há alguma coisa que me tenha incomodado em Berlim foi o rigor e a disciplina, a sensação de constragimento emocional que muitos alemães pareciam indiciar - num dos almoços, restaurante do centro, fiquei sentado ao lado de uma família alemã - pai, mãe, filho e filha, entre os oito e dez anos - e durante toda a refeição o silêncio reinou. Pai e mãe trocaram apenas palavras de circunstância, os filhos mantiveram-se calados e obedientes. Bizarro, para os nossos padrões. Ainda assim, trocaria de bom grado parte da alegria de viver e da algazarra latina por alguma ordem germânica.

 

E entretanto, Lisboa, e o compadrio, e o poder dos lobbies, e o total desinteresse pelas necessidades dos utentes, isto é, dos contribuintes que pagam para um serviço que é mau. Acabei por apanhar um táxi, e depois esperei quase uma hora na Gare do Oriente - esse monumento à gripe e aos resfriados construído por um espanhol pago a peso de ouro - pelo comboio que me convinha. Estes tempos mortos provocados pelo mau funcionamento geral do país - as repartições públicas são outro exemplo sintomático - pelo menos obrigam-nos a reflectir nestas diferenças, e na distância, cada vez maior, que nos separa dos países mais, vá lá, civilizados. O país é o espelho do que somos? Se somos o povo que vota maioritariamente nestes políticos que nos governam, então será mesmo. O Síndrome da Aterragem na Portela é sobretudo a sensação de regresso a uma realidade má, cada vez pior, e sem qualquer garantia de mudança. Os mansos que votam em tansos merecem todo o mal que lhes acontece. Mas eu, lamento, não.

 

*O aeroporto de Tegel não tem ligação directa de comboio, mas sim de autocarro. Obrigado ao comentador pela correcção. Entretanto, um novo aeroporto irá ser inaugurado em Junho deste ano, aproveitando parte das infraestruturas do aeroporto de Schönefeld. Quando isso acontecer, Tegel encerrará e passará a existir apenas um aeroporto a servir a capital alemã.


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 22 de Novembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Passados três meses, a super-assessora do super-ministério do Álvaro é afastada por não estar a conseguir passar a mensagem do ministro. O seu nome: Maria de Lurdes Vale, antiga jornalista do DN (e autora de várias pérolas jornalísticas, entre as quais uma entrevista ao seu futuro patrão Álvaro). Mas a promiscuidade não fica por aqui; ainda não tinha arrefecido o lugar que ela ocupava no gabinete ministerial e já transitava para a administração do Instituto de Turismo de Portugal, um organismo público que pertence à rede de interesses que serve os boys dos partidos do "arco da governação". Nada mal. De um precário emprego na redacção de um jornal em acentuada quebra de vendas para uma super-assessoria de 5 000 euros, e daí directamente para o conselho de administração de uma empresa pública. Um percurso notável - porém, longe de ser caso único. Quem poderá duvidar das capacidades comunicativas e dos conhecimentos na área do Turismo desta super-girl para todas as estações?


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011
por Sérgio Lavos

 

A história repete-se. Como aconteceu com Avelino Ferreira Torres, Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro. Como continua a acontecer com o intocável Alberto João Jardim, cuja vitória foi parabenizada por idiotas úteis da direita, habitualmente histéricos ao mínimo desvio da esquerda. Isaltino Morais, o autarca condenado e reeleito em Oeiras, depois de o último recurso interposto pelos seus advogados ter sido recusado unanimemente pelos juízes do Tribunal Constitucional, continua a bater com a mão no peito, clamando inocência. Os ingénuos e os cínicos podem dizer que está no seu direito; mas a verdade é que ele continua a persistir porque o exemplo dos seus antecessores criou um precedente. Mas atenção, o precendente não está no clamor de injustiça; está na sensação, que todos estes políticos devem ter, de que o que lhes está a acontecer é uma anormalidade inominável. Pudera, afirmo eu: se é prática comum nas autarquias deste país o jogo de interesses, os benefícios em troca de favores, a corrupção, por que razão apenas foram alguns julgados e incriminados?

 

O sentimento de impunidade de que estes autarcas gozam nasce da impunidade de facto que grassa no país. Quem já lidou com processos que envolvem autorizações de Câmaras ou Juntas de Freguesia sabe como as coisas funcionam. Em pequena escala, mas também em grande escala. Toda a gente sabe, mas ninguém se importa. Tornou-se habitual, normal, a regra. Não estamos assim tão longe do México - por cá, a corrupção institucionalizou-se. E quem poderia mudar este estado de coisas - sim, somos nós, que votamos em quem nos governa - está-se, positivamente, nas tintas. A vox populi é corrente: "vota-se no autarca pela obra feita - e se ele conseguiu sacar algum, tanto pior, eu faria o mesmo". O exemplo parte de cima e estende-se ao resto da população; a economia paralela tem, segundo estudos recentes, um peso enorme nas contas do país. Da factura que não se passa (nem se pede) à descarada fuga aos impostos, são poucos os que podem afirmar ter sido sempre honestos. A regra, lá está, é a desonestidade. E depois queremos ter os mesmo hábitos dos ricos povos do norte... se o crime é socialmente aceite, como poderemos nós alguma vez chegar aos níveis de vida que esses países ostentam?

 

Isaltino Morais não é mais, nem menos, do que a média nacional. Por isso, tem todo o direito de esbracejar, chorar, gritar até que a voz lhe doa. Estamos a navegar há muito em águas turvas, o habitat natural de vermes e outras criaturas das profundezas.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 26 de Agosto de 2011
por Miguel Cardina

 

O jornal i e o Diário de Notícias fazem o favor de chegar à província coimbrã mas regem-se por uma lógica insondável na geografia dos cinemas publicitados. O primeiro indica os filmes em cartaz em Lisboa e no Porto; o segundo opta pela zona de Lisboa, margem sul e algum Algarve. Fora disso não parece haver senão paisagem e umas festas ocasionais onde talvez se recorra a um velho animatógrafo. E, claro, gente que compra jornais, disso não há dúvidas, mas que os usa sobretudo para forrar gavetas ou proteger o solo de tintas e humidades. Valha-me então o Público para perceber que «Autobiografia de Nicolae Ceausescu» ainda não está em exibição em qualquer uma das salas do ZON Lusomundo Dolce Vita e do ZON Lusomundo Fórum, as únicas com programação regular em Coimbra. Assim de repente, senti-me como se me quisessem pôr a viver com um pé no Portugal profundo e outro no império da Lusomundo.


por Miguel Cardina
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Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011
por Sérgio Lavos

 

"Aumentar o IRS dos mais ricos é um disparate." Estranho seria se um dos principais representantes do catastrófico sistema bicéfalo que governa Portugal, o alucinado profeta do apocalipse luso, não achasse isto. Disparate não será com certeza aumentar o IVA de bens essenciais, cortar para metade o subsídio de Natal e reduzir as verbas para atribuição de subsídios da Segurança Social. É preciso cortar na despesa, pois claro. Mas deixar os ricos em paz, são eles que sustentam a alternância do centrão que levou o país à bancarrota.


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2011
por Sérgio Lavos

 

A capa do livro de Henry Thoureau é um atentado ao bom gosto. Sem dúvida. Mas é um atentado ao bom gosto porque é uma capa sexista. E é sexista porque usa um corpo seminu para vender um produto que nada tem a ver com a imagem. Não há qualquer relação entre o conteúdo do livro e a sua capa.  Perto disto, as míticas capas dos livros de Eurico Cebolo são de um primor estético que evoca os mestres renascentistas, até porque a relação capa/conteúdo não é, de todo, descabida. Portanto, o mau gosto, no caso de A Arte de Caminhar, tem uma dupla natureza: mau gosto estético e mau gosto ético. Resumindo, uma boçalidade. Tão simples quanto isto. 


por Sérgio Lavos
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Domingo, 12 de Junho de 2011
por Sérgio Lavos

Uma responsável regional do CDS-PP disse aos militantes do seu partido que devem correr atrás dos lugares de confiança política, porque merecem.


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
por Sérgio Lavos

Não sei se terá sido boa ideia seguir a convenção do BE através das gordas do Público on-line e da sempre equilibrada cobertura do Renato Teixeira, esse grande estudioso do fenómeno Bloco de Esquerda para esta segunda década do século, no 5 Dias, mas do que perdi não reza a história, nem a deste fim-de-semana nem a das eleições que se aproximam. A verdade cruel da queda nas sondagens não desmente as palavras dos seus líderes, mas convenhamos que pedir votos ao centro e à direita me parece prenhe de um patético wishfull thinking que nem a busca de parangonas desculpa. Também não sei o que será o "extremismo radical" de que fala Louçã; referir-se-à ele aos cartazes com ovelhas negras que eram colados nas paredes de Lisboa em meados da década passada? O caminho para o centro - parece ser esse - terá de se fazer sacrificando uns quantos anciões cordeiros, percebi bem? E onde espera o BE ir conquistar votos, ao volátil povo que tanto se lhe dá votar PS ou PSD, comprovando o chavão da esquerda de que estes são partidos sem diferenças? Certamente não aos leitores do CDS, que de tropeção em tropeção de Passos Coelho lá vai trepando em direcção a uma futura e novamente respeitável coligação, reeditando a união nacional magicada pela saudosa dupla Santana-Portas, que tanto deu ao país. Para dizer a verdade, ao currículo de Passos Coelho falta uma passagem pelo comentário televisivo, mas seguramente que a sua destreza na feitura de farófias e outras iguarias doces compensa esta ausência. Até porque de ideias, estamos conversados, e gosto de imaginar os cabelos arrepiados da classe média de crédito estourado ao ouvir o líder do partido da laranja afirmando que, seriamente dado que ele é um homem sério, seriíssimo, as medidas do trio FMI não são suficientemente penalizadoras e que ainda irá mais longe do que os bondosos samaritanos da troika, privatizando até à última réstia de empresa estatal, depenando definitivamente as empresas públicas que ainda vão alimentando os cofres do Estado, a CGD e a TAP. E a RTP, claro, não esquecer, que isso de ter uma estação pública deverá ser luxo apenas dos outros, incluindo o berço do capitalismo, os EUA. Pormenores. Ideias peregrinas não faltam certamente a Coelho e à sua trupe, e sempre insistindo na panaceia da manutenção dos impostos. Haverá capelas com mais fiéis onde ir pregar, mas convenhamos que é preciso concorrer com as medidas para tornar a economia competitiva propostas pelo PS; se estes baixam o IVA do golfe e aceleram a destruição dos serviços do estado, Coelho salta mais longe, e sonha com um país dominado pela selvageria do ultraliberalismo económico. Um utópico.

 

O problema é que a contramão perigosa por onde conduzimos parece ser, por vontade da única alternativa que nos resta - uma viragem à esquerda - o caminho provável. No limite, é verdade que ser retirada a responsabilidade de governação aos nossos políticos, apesar da lamentável perda de soberania, é uma solução com o seu quê de interessante. E como ninguém parece muito interessado em bater o pé a quem manda verdadeiramente no país, animemo-nos: a diversão da viagem está mais do que garantida.


por Sérgio Lavos
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Domingo, 6 de Março de 2011
por Sérgio Lavos

 

Fez-se história. Dezenas de anos depois, uma música com suficiente interesse ganhou o Festival da Canção e irá representar a pátria - ah, que gozo dá escrever isto - lá fora. Para cúmulo, no país de Merkel, o foco de todas as desgraças lusas. Para mais, a vitória foi conseguida graças ao voto dos espectadores, que contrariou o voto dos "especialistas" que tinham escolhido mais mais uma canção abaixo de cão, a caminho dos últimos lugares do Festival da Eurovisão (sim, eu de vez em quando espreito o festival). Poder-se-à dizer que o Festival da Eurovisão é o grau zero da música. Certo, e a realidade não desmente esta impressão. Mas entre a mediocridade enfatuada dos habituais, a parvoíce das péssimas letras - sempre à volta da ideia do "amor", ou da "alma lusa", ou do "fado" - e a pobreza mais do que franciscana das composições, e a mediania irónica da canção dos Homens da Luta, como não escolher a segunda? O maior feito desta dupla de humoristas foi ter dinamitado uma instituição da incompetência pátria, o nacional-cançonetismo, instituição muito mais do que simbólica (em tanta participação, o melhor que conseguimos foi para aí um 8.º lugar), no seu próprio terreno; a música dos Homens da Luta é primeiro um pastiche da música de intervenção - e por isto há muita gente de esquerda que não gosta deles -, mas o happening em que se tornou a sua participação no festival - as referências ao castiço nacional, as caricaturas do "povo", e depois a reacção do público à sua vitória, devidamente enfatizada pelo discurso de Jel - fez com que o acontecimento fosse uma inteligente desconstrução de algo perfeitamente anacrónico. Como não preferir a caricatura voluntária à involuntária? Os trabalhadores postiços às mulheres das sete saias da primeira canção?

 

Outro feito dos Homens da Luta foi terem conseguido que gente que poderia sentir-se ofendida com a caricatura se tenha de imediato colado a esta pequena vitória; na hora em que se contam espingardas contra o Governo, tudo conta (é espreitar o 5 Dias, para se confirmar). Por outro lado, a caixa de ressonância do Governo na blogosfera rapidamente veio anunciar o nojo que sente perante tal ofensa - ao Governo, presumo. Ah! Ah! Não me divertia tanto há algum tempo, confesso. E a procissão ainda vai no adro, a caminho da Alemanha. A luta é mesmo alegria.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010
por Sérgio Lavos

Em Inglaterra, 21 dos 57 deputados do partido Liberal-Democrata opuseram-se à aprovação da medida que aumenta as propinas dos estudantes do ensino superior, em alguns casos até ao triplo do que era antes (nove mil libras). Contrariando a promessa eleitoral de Nick Clegg, líder do partido e vice-primeiro-ministro. Dois assessores de ministros demitiram-se para votar contra, depois de Clegg ter afirmado que todos os membros do Governo iriam votar a favor. O mesmo aconteceu com um assessor Conservador, o outro partido da coligação governamental. Esta atitude é tudo menos inédita: o parlamento inglês tem sido pródigo em rebeliões dos deputados contra o sentido do voto imposto pelas lideranças dos partidos - no tempo de Tony Blair, mais de um terço dos Trabalhistas chegou a votar contra a invasão do Iraque. Em Portugal, trinta e seis anos depois da chegada da democracia, basta um líder de bancada ameaçar os deputados para estes comerem e calarem, votando contra uma proposta com a qual concordavam.

 

E é claro que a força dos protestos dos estudantes também deveria servir de exemplo a um povo contentinho, manhoso e com sentimentos de culpa por ter usufruído da bonança passageira dos anos 90. Comer e calar, não fazer ondas. Cada povo tem a democracia que merece ter.


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010
por Sérgio Lavos

 

A nossa pátria, ditosa e tão dada a epifenómenos locais, em tempos de crise gosta de se lembrar do que já passou e não volta. Como vivemos em crise perpétua, vamos continuando a navegar este saudosismo passadista, serôdio e nada produtivo. Fernando Pessoa, Agostinho da Silva ou Eduardo Lourenço escreveram o suficiente sobre o tema para se perceber o equívoco em que o país incorre ao não conseguir ultrapassar traumas e glórias passadas. Adiante. Um dos bons exemplos deste passadismo é, em altura de efemérides, relembrar cada data de ruptura na História do país como o fim de uma idade de ouro. Depois dos salazarentos que choram o fim do Estado Novo, emergiu recentemente uma espécie mais sofisticada: os saudosistas da monarquia. Pouca mossa farão, mas insistem em exigir direitos de referendo, como se um regime (a República) tivesse alguma vontade de referendar a sua própria existência. Claro que em democracia a maneira de fazer valer um ponto de vista é através de eleições, por isso parece-me que a votação miserável do único partido monárquico português é um sinal claro do sentir do povo sobre o assunto. Mas não, eles persistem, e S. A. R. (assim, com maiúsculas, pois, apesar da deposição do rei, há certos privilégios de classe que ainda não foram suprimidos), de quando em quando lá aparece a ter ideias para o seu próprio futuro, e a comunicação social vai atrás, que o povo gosta da pompa e circunstância que a realeza (ainda que postiça e derrotada) ostenta. Porque vivemos num regime que permite a liberdade de expressão de teses políticas ultra-minoritárias, pode S. A. R. (uso a designação oficial para não se dizer que não respeito a figura) continuar a proferir os dislates que muito bem entender. E com ele os outros requerentes de referendo, como o rival de S. A. R., o fadista marialva - entretanto traidor, deputado da República - ou a falange de patuscos revolucionários Darth Vaders que se entretem a colocar bandeiras azuis e brancas em locais simbólicos do regime. Estão no seu direito, e serei o primeiro a defendê-lo, se for caso disso (ao contrário do que certamente aconteceria se fosse eu o contestatário que profanasse símbolos da monarquia ou da pátria) . E como na verdade um monárquico é, por natureza, conservador e tem horror ao caos e à mudança, nenhuma revolução ou golpe de estado alguma vez virá daquelas bandas. O regime está a salvo, e quer-me parecer que a credibilidade de darth vaders, marialvas de suíças longas e patriotas que querem ser timorenses, deve ser nula ou perto disso. Mais patusco, menos patusco, podemos todos ficar descansados.


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010
por Sérgio Lavos


Por que razão os jornalistas do "continente" (Alberto João dixit), tão céleres a denunciar o eleitoralismo vergonhoso e digno de uma república das bananas do Presidente do Governo Regional da Madeira em vésperas de um acto eleitoral, assim como a sucessão de inaugurações nos meses precedentes, guardam o pudor, que tanto é afrontado pelo soba madeirense, no caso de Cavaco Silva? Uma campanha poupadinha, não é? Para quê gastar dinheiro quando há um acto oficial dia sim, dia sim, a caminho das eleições de Janeiro?

por Sérgio Lavos
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Sábado, 23 de Outubro de 2010
por Pedro Sales


"O que é a Ongoing?", perguntava o deputado Branquinho há menos de oito meses numa comissão de inquérito. Parece que aprendeu depressa.

por Pedro Sales
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008
por Pedro Sales
O Banco de Portugal nunca desconfiou de nada no BPN porque Oliveira e Costa era uma "pessoa distinta". Dias Loureiro nunca deu por nada no BPN porque confiava no "Banco de Portugal e no administrador que considerava ser uma pessoa séria".

por Pedro Sales
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Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008
por Pedro Sales
Acusada de fraude fiscal num processo originado por uma investigação das finanças, a filha do homem mais rico do país adoptou uma original estratégia de defesa. Reconheceu a evasão fiscal ao pagamento das mais valias resultantes da venda de um palacete, assumindo que “normal era que o preço declarado fosse inferior ao real”. Tão normal que Paula Amorim parece não ter encontado nenhum problema em assinar um contrato de promessa de compra e venda no valor de 1,160 milhão de euros e declarar apenas 461 mil.

Como explicou no acto de impugnação interposto no Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra, “a SISA, além de gozar de uma generalizada rejeição social (cuja expressão maior se traduzia numa evasão fiscal socialmente aceite), é um acto que percorre transversalmente toda a sociedade”. Era mesmo isso que faltava entre nós. Alguém que desse um corajoso murro na mesa de um sistema fiscal estranhamente assente na cobrança de impostos. Uma revolução na jurisprudência seguida de perto pelo advogado de Filomena Pinto da Costa, a outra arguida no processo, e que indica que “não pode vingar um processo-crime por fraude fiscal quando em casa estão tributos que eram objecto de uma generalizada rejeição social por serem injustos”.

Finalmente alguém com coragem e visão para nos explicar os assaltos às bombas de gasolina. Deve ser o resultado do “objecto de uma generalizada rejeição social por serem injustos” os preços cobrados. E os juros da banca? Boicote-se o seu pagamento e assuma-se a rejeição social “que percorre transversalmente toda a sociedade”. É pá, se a moda pega isto ainda pode ser engraçado. Não sei é se o Américo Amorim vai achar piada.

por Pedro Sales
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Sábado, 18 de Outubro de 2008
por Pedro Sales
O Ministério da Educação, através das Direcções Regionais está a enviar orientações, no âmbito do programa e.escolinhas, para que os professores dêem todas as informações do Magalhães aos encarregados de educação e que tratem de todo o processo de inscrição. As tarefas passam por facultar os documentos de adesão aos pais, receber e validar as fichas e termos de responsabilidade depois de preenchidos e efectuar a inscrição dos alunos no sítio da Internet do programa, obtendo do sistema o código de validação para cada um.

por Pedro Sales
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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008
por Pedro Sales
Só nove anos depois do arranque das videiras, e no primeiro ano de gestão do ficheiro de parcelas com vinha (cadastro) pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), é que os terrenos onde está instalado o Estádio Municipal de Murça deixaram de ter benefício para a produção de vinho do Porto.

O espaço que agora ocupa o Estádio Municipal de Murça era, anteriormente, uma vinha que foi vendida à Câmara Municipal por uma empresa que tinha sede em Alijó, enquanto que o benefício tê-lo-á vendido a uma empresa do Porto, que supostamente estará a lucrar cerca de 10 mil euros por ano com esta situação. O presidente do IVDP refere ainda que, afinal, este nem é caso único, pois “só este ano já foram detectadas 700 situações idênticas”.

por Pedro Sales
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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
por Pedro Sales


O mais espantoso nesta história das casas da CML é o sepulcral silêncio que envolveu um esquema com esta dimensão. Durante mais de 30 anos, foram entregues 3200 casas a título excepcional e sem critérios definidos. Façamos as contas. Uma em cada sessenta famílias a viver em Lisboa tem uma casa, loja ou sobreloja entregue pela câmara a preços de saldo. Tão espantoso quanto o sucesso deste silêncio, e revelador do esquema bem português que foi alimentando esta rede de cumplicidades, é o desplante que os visados revelam nas respostas à imprensa. Pedro Feist diz que o poder discricionário do vereador da habitação ”é uma realidade histórica”, o que parece tornar a prática aceitável. Como é normal entre nós, não há nenhum arrendatário desta criteriosa prebenda que não ande na rua de cabeça erguida e sem vergonha de ninguém.


Baptista Bastos recusa-se mesmo a revelar quanto paga de renda, dizendo apenas que quando precisou de casa pediu. É um assunto privado, claro, como é que podia ser de outra forma beneficiar de uma casinha com uma renda de favor, subsidiada com os impostos dos restantes lisboetas? Que isso nunca o tenha impedido de escrever aquelas insuportáveis crónicas invocando uma intangível superioridade moral que só a ele assiste, dá a dimensão perfeita de como o descaramento pode render frutos entre nós. A começar pela casinha.


PS: Passado o torpor do escândalo, interessante mesmo era conhecer a listagem dos restantes três mil e tal inquilinos e os critérios que presidiram à atribuição de cada casinha. Talvez desse para perceber melhor algumas comissões de honra...


por Pedro Sales
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por Pedro Sales


O mais espantoso nesta história das casas da CML é o sepulcral silêncio que envolveu um esquema com esta dimensão. Durante mais de 30 anos, foram entregues 3200 casas a título excepcional e sem critérios definidos. Façamos as contas. Uma em cada sessenta famílias a viver em Lisboa tem uma casa, loja ou sobreloja entregue pela câmara a preços de saldo. Tão espantoso quanto o sucesso deste silêncio, e revelador do esquema bem português que foi alimentando esta rede de cumplicidades, é o desplante que os visados revelam nas respostas à imprensa. Pedro Feist diz que o poder discricionário do vereador da habitação ”é uma realidade histórica”, o que parece tornar a prática aceitável. Como é normal entre nós, não há nenhum arrendatário desta criteriosa prebenda que não ande na rua de cabeça erguida e sem vergonha de ninguém.


Baptista Bastos recusa-se mesmo a revelar quanto paga de renda, dizendo apenas que quando precisou de casa pediu. É um assunto privado, claro, como é que podia ser de outra forma beneficiar de uma casinha com uma renda de favor, subsidiada com os impostos dos restantes lisboetas? Que isso nunca o tenha impedido de escrever aquelas insuportáveis crónicas invocando uma intangível superioridade moral que só a ele assiste, dá a dimensão perfeita de como o descaramento pode render frutos entre nós. A começar pela casinha.


PS: Passado o torpor do escândalo, interessante mesmo era conhecer a listagem dos restantes três mil e tal inquilinos e os critérios que presidiram à atribuição de cada casinha. Talvez desse para perceber melhor algumas comissões de honra...


por Pedro Sales
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por Pedro Sales


O mais espantoso nesta história das casas da CML é o sepulcral silêncio que envolveu um esquema com esta dimensão. Durante mais de 30 anos, foram entregues 3200 casas a título excepcional e sem critérios definidos. Façamos as contas. Uma em cada sessenta famílias a viver em Lisboa tem uma casa, loja ou sobreloja entregue pela câmara a preços de saldo. Tão espantoso quanto o sucesso deste silêncio, e revelador do esquema bem português que foi alimentando esta rede de cumplicidades, é o desplante que os visados revelam nas respostas à imprensa. Pedro Feist diz que o poder discricionário do vereador da habitação ”é uma realidade histórica”, o que parece tornar a prática aceitável. Como é normal entre nós, não há nenhum arrendatário desta criteriosa prebenda que não ande na rua de cabeça erguida e sem vergonha de ninguém.


Baptista Bastos recusa-se mesmo a revelar quanto paga de renda, dizendo apenas que quando precisou de casa pediu. É um assunto privado, claro, como é que podia ser de outra forma beneficiar de uma casinha com uma renda de favor, subsidiada com os impostos dos restantes lisboetas? Que isso nunca o tenha impedido de escrever aquelas insuportáveis crónicas invocando uma intangível superioridade moral que só a ele assiste, dá a dimensão perfeita de como o descaramento pode render frutos entre nós. A começar pela casinha.


PS: Passado o torpor do escândalo, interessante mesmo era conhecer a listagem dos restantes três mil e tal inquilinos e os critérios que presidiram à atribuição de cada casinha. Talvez desse para perceber melhor algumas comissões de honra...


por Pedro Sales
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Domingo, 28 de Setembro de 2008
por Pedro Sales
“O meu filho é que mora lá, não tenho dinheiro para lhe comprar uma casa nova”. “É a minha casa de reserva, se amanhã tiver de me separar outra vez para onde vou?”

José Bastos, director do departamento de apoio da CML, justificando a casa em Telheiras que a câmara lhe cedeu há 20 anos e pela qual paga uma renda de 95 euros. Expresso, 27 Setembro.

por Pedro Sales
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