Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Arrastão: Os suspeitos do costume.

Manufactering Consent

Miguel Cardina, 13.07.11

 

Hoje, no Telejornal da RTP, foi possível assistir a uma detalhada reportagem sobre uma dupla de meliantes que tentou assaltar sem sucesso uma turista na praia. Logo de seguida, uma notícia sobre "insegurança" dava conta de um aumento imediato do dispositivo policial, anunciado pela voz grave do nosso novel Ministro da Administração Interna. Se coincidência não é, o que chamar a isto?

Em todo o lado

Daniel Oliveira, 30.01.08

Pub

Daniel Oliveira, 09.01.08

Que nada tenho contra publicidade, é uma evidência para quem venha a este blogue. Tenho, por decisão própria, publicidade no Arrastão. Há quem já tenha manifestado aqui o seu incómodo pelo facto. O dinheiro que rende não mereceria esta decisão se ela se tratasse de uma cedência. Não foi necessidade económica. Os meus rendimentos profissionais chegam-me para viver, felizmente. Decidi ter publicidade porque acho que projectos que não estão no mainstream político não devem entregar, sem qualquer razão de principio, o mercado publicitário a quem já tem a parte de leão. E porque acho que devem contribuir para a sobrevivência de plataformas de blogues autónomas de grupos de comunicação (num negócio em crescimento) de qualidade. Devem ocupar o espaço que merecem para quando for necessário ser economicamente sustentável não começarem do zero. E devem contribuir para diversificação dos espaços. Ao contrário de outros, acredito que, com inteligência, até o mercado pode ser usado para o civilizar. Só se espanta quem desconhece as minhas posições políticas. É mesmo por uma questão de coerência que tenho publicidade. Se conheça os rendimentos que resultam desta decisão não duvidará.

Não tenho, nunca tive, nenhuma posição de principio contra a publicidade. Fui, aliás, por um curto espaço de tempo, publicitário. Não tenho nada contra comprar e vender coisas. Defendo limites e regras, apenas isso. Uma delas, cuja salvaguarda deve ser garantida, antes de mais, pelos meios onde a publicidade é publicada: ela não pode ser de tal forma intrusiva que dificulte a leitura, que secundarize a razão de ser de uma publicação e que desrespeite os leitores. Hoje, todos os jornais nos escaparates eram iguais. A publicidade de uma empresa de telemóveis ocupava o espaço que deve ser reservado às notícias. Escondia-as, num absoluto desrespeito pelos leitores e pelos jornalistas. Em alguns sites de notícias a coisa era ainda mais escandalosa. O anúncio seguia o cursor, de cada vez que o tentávamos mover, e era quase impossível fecha-lo. Esta publicidade da Optimus é estúpida, porque irrita o potencial comprador. E é humilhante para os jornais que a aceitaram.

Mais um canal, menos pluralismo

Daniel Oliveira, 04.01.08

O Pedro Sales tem toda a razão. A abertura de um quinto canal de televisão em sinal aberto é uma péssima ideia. Na televisão, as coisas vão apenas piorar mais um pouco. Com o cabo e a Net a ganhar espaço nos segmentos com maior poder de compra, continuará a guerra para captar o máximo de público com o mínimo de custos. Isto não quer dizer que se dê às pessoas o que elas querem ver. Quando os interesses são cada vez mais diferenciados, a televisão generalista, a única acessível aos mais pobres, limita-se a procurar o mínimo denominador comum: o que afugenta menos pessoas. E como as receitas em publicidade diminuirão, os custos em produção também terão de baixar. Concursos e novelas são a coisa mais barata para produzir dentro dos produtos de consumo indiferenciado. E como os preços da publicidade vão baixar o tempo de publicidade terá de subir.

Mas a tragédia será mesmo para a imprensa e rádio. Com o mercado da publicidade a aceder a saldos televisivos (o que na realidade já acontece), o pouco que ainda resta para a imprensa e rádio generalistas - que chegam a menos gente - vai acabar de fazer a migração, aprofundando ainda mais a crise no jornalismo nacional. Ou seja, com televisões generalistas com menos receitas (e por isso menor disponibilidade para investimento em áreas quase sempre deficitárias, como a informação) e jornais e rádios sem anunciantes, o que aparentemente aumentaria o pluralismo - a abertura de um quinto canal - terá exactamente o efeito contrário. Dirão: a concorrência tratará de fazer fechar o canal de televisão que não conseguir ser competitivo. Falso. Eles conseguirão aguentar, nem que seja com margens de lucro mínimas. São os jornais que pagarão a factura. Porque o mercado publicitário é o mesmo.