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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A democracia dos outros

Sérgio Lavos, 10.12.10

Em Inglaterra, 21 dos 57 deputados do partido Liberal-Democrata opuseram-se à aprovação da medida que aumenta as propinas dos estudantes do ensino superior, em alguns casos até ao triplo do que era antes (nove mil libras). Contrariando a promessa eleitoral de Nick Clegg, líder do partido e vice-primeiro-ministro. Dois assessores de ministros demitiram-se para votar contra, depois de Clegg ter afirmado que todos os membros do Governo iriam votar a favor. O mesmo aconteceu com um assessor Conservador, o outro partido da coligação governamental. Esta atitude é tudo menos inédita: o parlamento inglês tem sido pródigo em rebeliões dos deputados contra o sentido do voto imposto pelas lideranças dos partidos - no tempo de Tony Blair, mais de um terço dos Trabalhistas chegou a votar contra a invasão do Iraque. Em Portugal, trinta e seis anos depois da chegada da democracia, basta um líder de bancada ameaçar os deputados para estes comerem e calarem, votando contra uma proposta com a qual concordavam.

 

E é claro que a força dos protestos dos estudantes também deveria servir de exemplo a um povo contentinho, manhoso e com sentimentos de culpa por ter usufruído da bonança passageira dos anos 90. Comer e calar, não fazer ondas. Cada povo tem a democracia que merece ter.

É mais fácil bombardear do que assumir as responsabilidades

Daniel Oliveira, 15.03.08
«Foi dado um prazo de três semanas aos 1400 refugiados iraquianos a viver no Reino Unido para se inscreverem num programa de regresso voluntário ao Iraque. Caso não se inscrevam, correm o sério risco de ser desalojados e perder o apoio do Estado, noticiou o jornal The Guardian. Ao aderirem ao programa, terão de assinar uma cláusula que iliba o Governo britânico de responsabilidades, caso algo lhes aconteça no retorno ao Iraque. A decisão da ministra da Administração Interna, Jacqui Smith, de declarar que o Iraque é um país seguro para que os refugiados regressem, vem numa altura sangrenta em que cerca de 80 pessoas foram assassinadas desde domingo passado.» (Público de ontem)

Inquérito

Daniel Oliveira, 26.12.07
À pergunta "Concorda com a alteração da Lei Eleitoral Autárquica nos moldes que estão a ser negociados entre o PS e o PSD?" 225 leitores (73%) responderam que "não" e 82 (27%) disseram que "sim".

Novo inquérito na coluna da direita: "Qual a figura mais relevante de 2007?" Escolhi 10 políticos internacionais: Al Gore, Durão Barroso, George Bush, Hu Jintao, Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad, Nicolas Sarkozy, Robert Mogabe, Tony Blair e Vladimir Putin. Podia ter escolhido outros, mas estes parecem-me cobrir os principais acontecimentos políticos do ano. A ideia não é saber qual agrada ou desagrada mais aos leitores, mas apenas qual terá sido o que mais marcou o ano que agora acaba.

O barato sai caro

Daniel Oliveira, 23.11.07
A falha de segurança que levou ao extravio da informação de 25 milhões de contribuintes britânicos teve uma razão: segundo documentos revelados pelo Guardian, cortes orçamentais obrigaram os serviços a remover as medidas de segurança destinadas a proteger a informação. Segundo o "Daily Telegraph" pouparam-se cinco mil libra (ainda não consegui encontrar o link para esta notícia). Milhares de pessoas estão a mudar os seus pin's e instalou-se a desconfiança. Ver também Zero de Conduta.

Os perigos

Daniel Oliveira, 21.11.07
Para quem nunca se preocupa muito com a concentração de informações pessoais por parte do Estado e com o cruzamento de dados, sem milhares de garantias, e com acesso de empresas privadas a funções que só podem ser exclusivamente do Estado e a funcionários anónimos informações reservadas, aqui vai: a informação de 25 milhões de contribuintes britânicos. São as informações de 7,25 milhões de famílias que pediram ajudas fiscais para os seus filhos. Têm nomes, moradas, números de segurança social e informações contas bancárias. Perdeu-se em dois simples CD's, a caminho de uma empresa de auditoria. Ninguém sabe em que mãos pararam.