Quinta-feira, 28 de Março de 2013
por Sérgio Lavos

1) O PSD, o CDS e Cavaco Silva (aquele que hoje denunciou, sem se rir, colocando a sua melhor cara de pau, a "intriga política") tinham razão para estarem preocupados com o regresso de Sócrates. Sobretudo o CDS, que reclamou contra a sua escolha pela RTP.

 

2) Dois anos depois, Sócrates conserva todas as suas qualidades e todos os seus defeitos. Continua a preparar-se de forma superior para as aparições em público, estuda os dossiers, sabe conduzir a entrevista e controlar o seu ritmo, falando apenas do que quer que seja falado, e nos seus termos. Também continuam presentes a arrogância e a crispação - Paulo Ferreira foi quem mais sofreu com isso.

 

3) Tudo somado, olhando para Sócrates percebemos por que razão António José Seguro nunca se conseguirá afirmar como líder da oposição. E percebemos também que ao estilo untuoso e bem colocado de Passos Coelho - perigoso na sua essência porque as mentiras passam de forma mais açucarada e agradável - terá de se opôr um estilo combativo e truculento, capaz de se afirmar fugindo ao ramerame da moleza da actual oposição.

 

4) Todos sabíamos que Cavaco Silva é o sonso mais bem sucedido da vida política portuguesa. O político profissional há mais tempo no activo, sem nunca deixar de se fazer passar por não político; o intriguista que tece na sombra as sombras do seu poder; e o egocêntrico inseguro que tenta pairar acima da sujeira da política. José Sócrates fez muito bem em atacá-lo directamente, afirmando num palco bem visível o que já se vinha sendo dito em surdina há muito tempo. Cavaco conspirou para fazer cair o Governo de Sócrates. E não foi apenas em 2011. Antes das eleições de 2009, já o tinha tentado. Nunca deixou de fazer letra morta do dever de isenção a que a sua função obriga, tentando derrubar os dois governos de Sócrates, mas também continuando a manter este Governo em funções, apesar do descalabro do país. Cavaco não só não está acima da política, como não está, de modo algum, acima dos partidos. E demonstrar esta evidência terá sido o maior contributo desta entrevista. 

 

5) Daqui para a frente, o Governo não vai poder dormir descansado com os comentários semanais de Sócrates. Hoje já deu a entender o que aí vem, querendo falar dos erros de governação que estão a ser cometidos. Foi pena que os dois entrevistadores - uma vez mais, com uma prestação fraca - não o tenham deixado desenvolver esse tema. Dificilmente regressará à política activa, mas será muito importante na definição do debate público. Se a sua contratação foi uma jogada do Dr. Relvas, o tiro terá saído pela culatra. Mais um, de resto. A continuar assim, o Governo não durará muito. E não cairá; sairá com benzina, porque é uma nódoa.

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por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 26 de Março de 2013
por Sérgio Lavos

Sabemos que a direita opinativa bateu no fundo quando compara o espaço de comentário oferecido a José Sócrates na RTP com a tolerância de uma escola perante um cartaz com Hitler. Quem é a autora de tal feito? Esther Mucznik, a propagandista da causa israelita que anda há anos a defender o apartheid palestiniano e que comete a proeza de, numa penada, desvalorizar os crimes do nazismo, ao compará-los com as políticas (certas ou erradas) dos governos socialistas, e equivaler Hitler e Sócrates, produzindo um dos mais absurdos argumentos reductium ad hitlerum de sempre. E sugerindo ainda a censura de Sócrates - de resto, repetindo uma ideia que outros comentadores de direita têm vindo a defender. Tudo isto numa crónica que pretendia ser uma denúncia justa dessa tal situação ocorrida numa escola. O desvario da direita perante o regresso de Sócrates é tão surreal que começo a achar que Sócrates fez bem em voltar à política neste momento. Afinal, esta direita neocon está com medo de quê?

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por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 21 de Março de 2013
por Sérgio Lavos

Faço minhas estas palavras de Rui Rocha:

"Devo ser claro. Não acredito na neutralidade política da RTP. E, se alguém por aí acredita, que levante o braço. Alguém? Pois. Ora, é à luz deste ponto de partida e do actual contexto político que deve ser analisado o regresso de Sócrates à RTP. O que temos então? Temos uma televisão pública dependente do poder político. E uma contexto de degradação das condições políticas do actual governo. Olhemos por um momento para o executivo, para percebermos melhor. O primeiro-ministro está, desde o princípio, prisioneiro de promessas eleitorais que foi quebrando, uma a uma. E de um discurso politicamente imberbe ao qual foi adicionando, nos piores momento, uma boa dose de  hostilidade em relação aos portugueses (as alusões à pieguice, ao desemprego como oportunidade, etc.), ao mesmo tempo que mostrava uma intolerável complacência com todas as distorções instaladas. O seu putativo braço direito, Miguel Relvas, revelou-se, pelas razões que todos conhecemos, o seu pé esquerdo. Alguma dignidade que restasse, ficou irremediavelmente comprometida quando entendeu partilhar com o país os dotes de barítono, entoando a Grândola. O ministro das finanças está completamente descredibilizado. Chegámos ao ponto de a Ordem dos Cartomantes, na pessoa do bastonário Marcelo Rebelo de Sousa, se permitir mandar o ministro ver se chove. O ministro da economia, por seu lado, é a nulidade que se conhece, perfil aliás absolutamente alinhado com a intenção governativa inicial de estabelecer um diktat das finanças. O resto do governo, bem, é o resto do governo, com Paulo Portas sempre fora, mesmo nas poucas ocasiões em que está cá dentro. No mais, temos uma situação económica e financeira insustentável, uma dívida impagável, e terminaremos, mais cedo ou mais tarde, por embater (ainda mais) violentamente com a realidade. Ora, sendo tudo isto assim, o regresso de Sócrates ao espaço público e mediático só pode ser entendido como um facto ao qual o actual governo não só não se opõe como, na verdade, deseja. À falta de factos relevantes de governação, de reformas estruturais, de presente e, sobretudo, de futuro, nada melhor do que a exposição periódica do responsável pelo passado. Sócrates, completamente descredibilizado pessoal e politicamente, coisa que só os apaniguados mais veementes e o próprio não entendem, é a cortina de fumo ideal para lançar sobre a situação do país, recordando em permanência aos portugueses quem é o principal responsável pela situação. Que o governo participe nesta manobra de diversão, diz bem da sua fraqueza. Que Sócrates se preste a ser exibido publicamente como o Gungunhana de Passos Coelho só será surpreendente para alguns: aqueles que esquecem a sua imensa vaidade, o seu desproporcionado autoconceito e a entranhada falta de vergonha que sempre ostentou."

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por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

José Sócrates acaba de se tornar o último seguro de vida do pior Governo (o Governo Dr. Relvas) que já passou por Portugal. País miserável.

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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

Ao longo da última semana, temos vindo a assistir ao nascimento de uma nova espécie de comentador: o hermeneuta-telepata do pensamento de José Sócrates. Uma afirmação clara, claríssima, do antigo primeiro-ministro, e verdadeira para além de qualquer dúvida, deu azo à criação de páginas e páginas de pensamento que visa analisar as implicações, segundos sentidos, leituras esotéricas e discursos subliminares da coisa. Chega-se ao ponto de - Pedro Santos Guerreiro no Eixo do Mal é o exemplo desta corrente - concordar-se com a afirmação de Sócrates, acrescentando-se de seguida que ele não tem legitimidade para a proferir. O reino do maravilhoso onde vivemos é de assombrar: transforma-se o que vai além de qualquer subjectividade interpretativa, uma verdade, numa realidade subjectiva. O que é verdade na boca de Pedro Passos Coelho é mentira e uma afronta ao povo português por parte de Sócrates. Vivemos tempos difíceis: a alucinação colectiva vai substitituindo a razão. Na ânsia de encontrar um culpado interno para os nossos males, há quem deixe cair uma densa nuvem de poeira sobre o entendimento. Receio o que possa acontecer quando se chegar à conclusão de que a culpa da austeridade recessiva aplicada por este Governo não é do anterior primeiro-ministro. Quando chegar esse dia, onde estaremos nós?


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

É curioso como o regresso de José Sócrates aos jornais e à televisão se transformou na notícia do dia, relegando a "histórica" cimeira de Bruxelas para segundo plano. Em apenas dois dias fez mais pelo PS e pela oposição do que Seguro em 3 meses - arrisco dizer, mais do que este alguma vez fará. O homem pode até estar quase sempre errado*, mas não deixa de ter um apelo muito mais veemente do que o inenarrável Seguro ou o vil e apagado Coelho.

 

* Neste caso, não está; é absurdo pensar-se na inexistência de dívida pública ou externa. Apenas os países com economias fechadas (Coreia do Norte) ou primitivas (as ilhas do Pacífico, por exemplo) conseguem aproximar-se desse objectivo.

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por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 3 de Junho de 2011
por Miguel Cardina
A grande questão que atravessará o PS pós-Sócrates será a de saber se permanecerá amarrado à troika, ao PSD e ao CDS, se tentará arrepiar caminho e encontrar pontes com a esquerda na oposição ou se toda essa tensão interna provocará (ou não) um realinhamento de alguns sectores na sua orla. À direita e à esquerda. Aceitam-se apostas.

por Miguel Cardina
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2011
por Miguel Cardina

 

O programa do PS agora apresentado é um mau truque de ilusionismo. O editorial do Público de ontem chama-lhe «um programa igual a um carro usado» e nota como as medidas avulsas, genéricas e requentadas ali apresentadas são «um sintoma de esgotamento típico de um fim de ciclo». Parece-me uma caracterização acertada. Aspecto importante: desaparecem grande parte das medidas contidas no PEC IV, que Sócrates tão arrebatadoramente defendeu e cujo chumbo considerou uma manobra lesa-pátria das oposições unidas. Sobretudo medidas que o eleitorado tradicional de esquerda poderia ver com maus olhos, como o congelamento de salários na função pública, os cortes nas pensões e o aumento do IVA. Não é a primeira vez que em momentos eleitorais vemos o PS tentar passar a imagem de que é diferente do que tem sido no poder.

 

Mas desta vez a coisa corre o risco de parecer ainda mais anacrónica. É que um dos elementos mais curiosos do programa é a inexistência de referências ao FMI, que verdadeiramente irá fazer o programa do futuro governo. José Sócrates e Pedro Passos Coelho, com a bênção de Cavaco e da banca portuguesa, governarão com o programa de austeridade desenhado pela troika. E governarão muito provavelmente coligados, caso as sondagens estejam certas e a preferência do parceiro de aliança se mantenha inalterada. Estamos, pois, diante de uma jogada de ilusionismo de baixo calibre. Quando a 16 de Maio for apresentado o pacote FMI e os líderes do PS e PSD forem obrigados a entender-se com base nessa plataforma, a audiência terá diante dos olhos aquilo que já é evidente para todos: o truque desvendado. Sócrates de mão dada com Passos Coelho ao mesmo tempo que procura sacar com a outra mão a rosa escondida na manga do casaco. Convencerá alguém?

 

* Texto inicialmente publicado no Blogue de Esquerda, da revista Sábado, onde estarei nestes dias a participar na "Semana do Blogger Convidado". Deixo um agradecimento especial à Marta Rebelo pelo convite e uma sugestão para que passem por lá.

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por Miguel Cardina
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Domingo, 10 de Abril de 2011
por Miguel Cardina

José Sócrates pede aos militantes que gritem que estão com ele. A sua moção vence com mais de 97% dos votos. Duas ou três vozes dissonantes falam para uma sala vazia. Há comoção nos apelos à unidade. Quando hoje regressou ao palco, o líder salvador que não estava disponível para governar com o FMI, não encontrou bandeiras do PS mas apenas bandeiras nacionais. E muitas câmaras, telepontos, vídeos de ex-líderes a entronizá-lo e música grandiloquente. O autismo é uma arma?

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por Miguel Cardina
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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010
por Sérgio Lavos
José Sócrates pressionou o director do "Expresso" para não publicar notícia sobre licenciatura.
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por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010
por Sérgio Lavos
O que a rede vai trazendo, depois da pescaria iniciada ontem, confirma uma de duas possibilidades: ou o Primeiro-Ministro está a perder o controlo, não se sabe muito bem porquê, e faz agora às claras o que antes fazia pela calada; ou, muito mais interessante, há uma jogada política de contornos nebulosos a desenrolar-se. O que já não pode colher é a campanha de desinformação - ataques ao carácter de Mário Crespo, duvidar da existência do próprio acontecimento - que os apoiantes de Sócrates uma vez mais têm ensaiado. Quanto à segunda possibilidade, foi você que pediu uma eleição antecipada?

por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
por Pedro Sales
O mesmo primeiro-ministro que reintroduziu as deduções fiscais aos PPR´s, uma insensatez que faz com que os contribuintes de menores rendimentos financiem os abatimentos fiscais dos que têm maior poder de compra, anunciou ontem com grande estardalhaço o seu plano para combater as desigualdades sociais. Diminuir as deduções fiscais...

por Pedro Sales
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Sábado, 25 de Outubro de 2008
por Pedro Sales
Na entrevista hoje publicada pelo DN, José Sócrates volta a repetir uma das afirmações mais estafadas dos últimos dias. “Foi o facto de praticamente todos os países europeus terem tomado a mesma medida de dar garantias de Estado aos bancos que permitiu que a taxa Euribor descesse ao longo destes últimos dias”.(…) Esse declínio da taxa Euribor é uma consequência da acção que tomámos”.

É bonito ver José Sócrates tão embevecido com as suas acções, mas convinha ter alguma calma nas afirmações que podem ser facilmente desmentidas. É certo que a Euribor caiu 0,5% nas últimas sessões, mas não só essa queda começou antes das garantias serem anunciadas como não reflecte mais do que a descida da taxa de juro do BCE em, veja-se lá a coincidência, 0,5%. O argumento de José Sócrates só teria sentido se a historicamente elevada diferença entre a Euribor e a taxa de juro do BCE se tivesse reduzido, algo que não aconteceu. Manteve-se estável. O diferencial entre as duas taxas continua nos 1,2%, um valor seis vezes superior ao registado no início de 2007 e mais do dobro do que tinha lugar em Janeiro de 2008. E chegámos a este valor extraordinário, diz José Sócrates, porque os estados avançaram com pipas de dinheiro dos contribuintes. Fantástico, sem dúvida.

Ricardo Araújo Pereira resume o esquema na perfeição. "Ou muito me engano ou o que se passa é o seguinte: os contribuintes emprestam o seu dinheiro aos bancos sem cobrar nada, e depois os bancos emprestam o mesmo dinheiro aos contribuintes, mas cobrando simpáticas taxas de juro. A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos. A nobreza desta atitude dos bancos deve ser sublinhada".

por Pedro Sales
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Sábado, 11 de Outubro de 2008
por Pedro Sales



Está na moda atacar o Banco Central Europeu pela forma como este tem lidado com a crise. A crítica é justa, mas não só chega com um ano de atraso como falha o alvo. O mandato do BCE, conferido pelos países que constituem a UE, é claro. Trichet apenas faz o que lhe mandam. A sua competência, definida por Tratado Europeu, é manter a taxa de inflação abaixo dos 2%. Isso mesmo e nada mais. Ao contrário da Reserva Federal dos EUA, que a essa preocupação junta o fomento ao crescimento económico e à criação de emprego. Diz-se que este mandato mais liberal que o liberalismo foi uma imposição da Alemanha para aceitar perder o marco. Talvez, mas a ortodoxia europeia nem o discute e a alteração deste estúpido mandato é um imperativo político e uma necessidade económica. José Sócrates, que agora critica o liberalismo que continua a defender para a formação de preços da energia, tem uma boa solução. Começar a defender em Bruxelas a revogação desta mandato absurdo. Sem isso nada do que diz passa de retórica, como já vem sendo costume.

Vale a pena recordar que foi a persistência do Banco Central Europeu em manter as taxas de juro dois pontos acima das norte-americanas, durante mais de um ano, que se revelou uma das razões da actual crise europeia. Conduziu à transferência de capitais de um lado para o outro do atlântico, estrangulou a economia, dificultando o crédito às empresas e minando o orçamento das famílias. O Jornal de Negócios de ontem falava num aumento médio de 83 euros na prestação das casas pagas pelos portugueses desde o início do ano. Estamos a falar de uma verba que representa 10% do ordenado médio do país! E andam estes senhores preocupados com taxas de inflação de 3%, que nem têm uma origem monetária, quando o crédito é o verdadeiro imposto escondido que conduziu à maior perda de compra desta década. Não basta falar, é preciso agir. Os tempos que correm são o momento para um novo consenso que deite para o lixo a ortodoxia liberal que nos levou a este beco. É preciso encontrar uma saída.

por Pedro Sales
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por Pedro Sales



Está na moda atacar o Banco Central Europeu pela forma como este tem lidado com a crise. A crítica é justa, mas não só chega com um ano de atraso como falha o alvo. O mandato do BCE, conferido pelos países que constituem a UE, é claro. Trichet apenas faz o que lhe mandam. A sua competência, definida por Tratado Europeu, é manter a taxa de inflação abaixo dos 2%. Isso mesmo e nada mais. Ao contrário da Reserva Federal dos EUA, que a essa preocupação junta o fomento ao crescimento económico e à criação de emprego. Diz-se que este mandato mais liberal que o liberalismo foi uma imposição da Alemanha para aceitar perder o marco. Talvez, mas a ortodoxia europeia nem o discute e a alteração deste estúpido mandato é um imperativo político e uma necessidade económica. José Sócrates, que agora critica o liberalismo que continua a defender para a formação de preços da energia, tem uma boa solução. Começar a defender em Bruxelas a revogação desta mandato absurdo. Sem isso nada do que diz passa de retórica, como já vem sendo costume.

Vale a pena recordar que foi a persistência do Banco Central Europeu em manter as taxas de juro dois pontos acima das norte-americanas, durante mais de um ano, que se revelou uma das razões da actual crise europeia. Conduziu à transferência de capitais de um lado para o outro do atlântico, estrangulou a economia, dificultando o crédito às empresas e minando o orçamento das famílias. O Jornal de Negócios de ontem falava num aumento médio de 83 euros na prestação das casas pagas pelos portugueses desde o início do ano. Estamos a falar de uma verba que representa 10% do ordenado médio do país! E andam estes senhores preocupados com taxas de inflação de 3%, que nem têm uma origem monetária, quando o crédito é o verdadeiro imposto escondido que conduziu à maior perda de compra desta década. Não basta falar, é preciso agir. Os tempos que correm são o momento para um novo consenso que deite para o lixo a ortodoxia liberal que nos levou a este beco. É preciso encontrar uma saída.

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Está na moda atacar o Banco Central Europeu pela forma como este tem lidado com a crise. A crítica é justa, mas não só chega com um ano de atraso como falha o alvo. O mandato do BCE, conferido pelos países que constituem a UE, é claro. Trichet apenas faz o que lhe mandam. A sua competência, definida por Tratado Europeu, é manter a taxa de inflação abaixo dos 2%. Isso mesmo e nada mais. Ao contrário da Reserva Federal dos EUA, que a essa preocupação junta o fomento ao crescimento económico e à criação de emprego. Diz-se que este mandato mais liberal que o liberalismo foi uma imposição da Alemanha para aceitar perder o marco. Talvez, mas a ortodoxia europeia nem o discute e a alteração deste estúpido mandato é um imperativo político e uma necessidade económica. José Sócrates, que agora critica o liberalismo que continua a defender para a formação de preços da energia, tem uma boa solução. Começar a defender em Bruxelas a revogação desta mandato absurdo. Sem isso nada do que diz passa de retórica, como já vem sendo costume.

Vale a pena recordar que foi a persistência do Banco Central Europeu em manter as taxas de juro dois pontos acima das norte-americanas, durante mais de um ano, que se revelou uma das razões da actual crise europeia. Conduziu à transferência de capitais de um lado para o outro do atlântico, estrangulou a economia, dificultando o crédito às empresas e minando o orçamento das famílias. O Jornal de Negócios de ontem falava num aumento médio de 83 euros na prestação das casas pagas pelos portugueses desde o início do ano. Estamos a falar de uma verba que representa 10% do ordenado médio do país! E andam estes senhores preocupados com taxas de inflação de 3%, que nem têm uma origem monetária, quando o crédito é o verdadeiro imposto escondido que conduziu à maior perda de compra desta década. Não basta falar, é preciso agir. Os tempos que correm são o momento para um novo consenso que deite para o lixo a ortodoxia liberal que nos levou a este beco. É preciso encontrar uma saída.

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Quinta-feira, 29 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira
Vi hoje Sócrates a chamar de mentiroso Francisco Louçã quando este afirmou que João Proença andava a explicar o Código de Trabalho aos militantes do PS. Disse Sócrates: «deve haver regras e seriedade no debate político. E a primeira regra é não dizer mentiras. Não dizer mentiras. Está enganado: João Proença não anda a fazer sessões pelo Partido Socialista explicando o código laboral. O que o senhor disse é uma mentira.» Aqui está a mentira. De facto, Proença não anda com Sócrates a explicar o Código Laboral. Anda com Vieira da Silva a fazer sessões pelo Partido Socialista explicando o código laboral, com quem depois negoceia enquanto secretário-geral da UGT.

PS: Não percebi a referência ao caso Fernanda Câncio, já esquecido e enterrado. Mas ainda percebi menos a reacção do PS, já que a farpa era para o PSD.

PS2: Renato Sampaio diz que também foi organizado um debate com Carvalho da Silva. Era este esclarecimento que Sócrates deveria ter dado (que não veio em notícia nenhuma) em vez de começar por desmentir um facto verdadeiro e a chamar de mentiroso a quem o referia. Falta esclarecer se a notícia que referi corresponde a um debate ou a uma sessão de esclarecimento. Porque a notícia em causa não fala de debate nenhum, mas de uma série de sessões para explicar o Código Laboral em que João Proença terá participado. E Santos Silva garantiu, no Parlamento, que João Proença não esteve lá como secretário-geral da UGT. Então? Entendam-se.
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por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira
Um escreveu e os outros começaram a repetir. Em alguns blogues já foi corrigido mas ainda está aqui e aqui. Que Luís Pedro Nunes teria dito no "Eixo do Mal" que Sócrates era um «garoto de programa». Na verdade, disse que era um «garoto de propaganda». Eu sei que há aí muita gente a confundir programa com propaganda, mas são coisas diferentes. E com esta pequena alteração a frase ganhou todo um outro significado. Essa malícia, essa malícia.

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira
«O Tribunal da Relação de Lisboa condenou, na semana passada, o primeiro-ministro José Sócrates ao pagamento de 10.000 euros por danos não patrimoniais causados ao jornalista José António Cerejo. Em causa está uma carta publicada no PÚBLICO, em Março de 2001, da autoria de José Sócrates, na altura ministro do Ambiente, em que este acusava José António Cerejo de ser “leviano e incompetente”, de padecer de “delírio” e de servir “propósitos estranhos à actividade de jornalista”.»

Lamento esta sentença. Juridicamente ela pode ser acertadíssima, mas a nossa lei e os nossos tribunais continuam a a ter uma visão demasiado estreita da liberdade de expressão. Afirmar que António Cerejo é "leviano" e "incompetente", sendo absolutamente injusto (ele é um excelente repórter), está no mero domínio da opinião. A de "delírio" é coisa nenhuma sem nenhum dano para o jornalista. Apenas a acusação de que Cerejo estaria a servir “propósitos estranhos à actividade de jornalista” pode ser difamatória. Mas se for interpretada como eu a interpretei (que serve propósitos políticos) mantém-se no estrito espaço da liberdade de opinião e crítica.

Acho, para além do mais, estranho que um jornalista ponha um processo por difamação a um primeiro-ministro. Os jornalistas devem estar na linha da frente na defesa da liberdade de expressão. Têm, para além do mais, um instrumento para repor o seu bom-nome (o próprio jornal) que está vedado à generalidade dos cidadãos.

E não colhe a ideia de que foi por causa destas frases de Sócrates que o jornalista passo «a ter dificuldade em obter informações de fontes públicas». A razão é mais simples, mais prosaica e até mais grave: quem ataca quem governa tem dificuldade em aceder a informação do Estado. Diga o primeiro-ministro o que disser. E isso combate-se defendendo um Estado mais transparente e lutando pela liberdade de imprensa, não limitando a liberdade de expressão de terceiros.

Penso que os processos por difamação devem ser usados exclusivamente quando há um difamação factual. Tudo o resto, sendo legitimo do ponto de vista meramente jurídico, empobrece a nossa democacia.

PS: Sócrates, que deduziu pedido reconvencional, pedindo por sua vez ao jornalista uma indemnização de 50 mil euros em consequência da violação dos direitos à honra e bom nome, vai recorrer desta decisão.

por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira
Sócrates queixa-se do "calvinismo moral radical". Das duas uma: ou aquilo a que Sócrates chama de calvinismo se manifesta contra o facto dele fumar, e aí ele foi o único a dar sinais de padecer de tal maleita: foi ele, sem que ninguém lho pedisse e num gesto disparatado e inédito em Portugal, que prometeu deixar de fumar. Ou o "calvinismo moral" manifesta-se na censura social a um determinado comportamento. Acontece que esse mesmo comportamento passou a ser ilegal por uma lei feita aprovar pelo próprio Sócrates. Se Sócrates pode pôr os ficais da ASAE atrás de nós, queixa-se de quê quando nós, cidadãos, queremos a ASAE atrás dele?

É simples: eu passo a poder fumar em todo o lado e vão ver como me passa já o calvinismo. Até lá, caro primeiro-ministro, ou há justiça ou comem todos. Se eu não posso fumar, o senhor não pode fumar. A indignação com o seu comportamento é, de facto, moral, mas nada tem de calvinista. É democrática: quem decide impor a todos determinadas regras tem de as cumprir.

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Inspirado no "Inimigo Público"


por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 13 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira
O primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, e vários membros do gabinete do chefe do Governo violaram a proibição de fumar no voo fretado da TAP que ligou Portugal e Venezuela e que chegou às cinco horas da manhã de ontem a Caracas. O supervisor do voo, a segunda autoridade a bordo logo após o comandante, disse não ter dúvidas de que era proibido fumar a bordo e, embaraçado, falou em “situações de excepção”. Um assessor do primeiro-ministro disse que “é costume” e que as pessoas “não se importaram”.

Claro que as pessoas não se importaram. O respeitinho pelo poder é muito bonito. E as ferozes leis anti-tabaco são para todos, menos para quem as aprova.

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Sábado, 15 de Março de 2008
por Daniel Oliveira
Não gosto da exposição pessoal dos dirigentes políticos. Prefiro não saber nada e sei que fico sempre sem saber nada. A exposição do lado pessoal e "humano" dos políticos é sempre uma encenação. E é irrelevante para a sua avaliação política. Mas quando o resolvem fazer mais vale que o façam bem. Não digo com sinceridade (impossível e sem sentido), mas com algum à vontade. Se as coisas se fazem, que se façam para alguma coisa.

Olhando para Sócrates e para Menezes, não ficam dúvidas: ou porque é mais afável ou porque se sente melhor neste registo, Menezes tem muito mais talento neste terreno do que Sócrates. Ao aceitar entrar neste jogo Sócrates escolheu o único campeonato em que está em desvantagem. Uma das poucas coisas que gosto em Sócrates é a reserva que mantém da sua vida privada. Por isso, melhor seria que tivesse mantido o registo anterior.

Aqui ficam as entrevistas, na íntegra, de Sócrates e Menezes:



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Vídeo do "Expresso"

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Sexta-feira, 14 de Março de 2008
por Daniel Oliveira


É evidente que as reportagens que mostram a intimidade e quotidiano dos políticos são uma encenação. Pelo menos esperemos que sejam. Se não concluiríamos que o nosso primeiro-ministro começava a trabalhar às 11 da manhã. Foto roubada ao Pedro Sales.

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por Daniel Oliveira
«José Luiz, como estás? Descansiando, calculo. Mira: enorabuena para ti. Felicitaciones»
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Quinta-feira, 13 de Março de 2008
por Daniel Oliveira


Estava dividido. O que ver? A entrevista íntima de Sócrates, a entrevista de Menezes (com ele todas são íntimas) ou a segunda parte do jogo Sporting? De Menezes desisti antes de começar, que esta semana já ri o que chegue. Fiquei em Sócrates e garanti depressão para uma semana. Bolas, o homem está mesmo em baixo! Desmarquem as manifestações antes que ele tenha um esgotamento. Se aquilo é o registo informal, venha a formalidade. Concedo que até disse duas coisas interessantes. Mas foram duas citações. Acabei por regressar ao Sporting. E ainda bem. Haja alegrias nesta vida.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 4 de Março de 2008
por Daniel Oliveira
Escrevi que o timing da última greve geral fora um erro, com os resultados que então se viram. E que se tinha gasto a bomba atómica e seria muito mais difícil voltar a usá-la: a greve, por ser tacticamente prematura, não tinha conseguido traduzir com justiça o descontentamento que se sentia. Basta olhar para a realidade política actual para perceber a falta que ela agora fazia: por muitos factores, Sócrates está desgastado, a sua máquina de propaganda está esfrangalhada, muitos mais sectores estão mobilizados e haveria, neste momento, uma real capacidade de fazer o governo recuar em várias matérias. A greve seria uma chegada forte e não uma falsa partida. Será possível repeti-la? Fazer duas greves gerais no espaço de um ano é muitíssimo difícil. E, deixando aproximar eleições, cheiraria ao que seria: campanha eleitoral. Foi cedo demais, como muitos dirigentes da CGTP, ultrapassados por outras agendas, avisaram na altura. Há erros tácticos com um preço estratégico muito alto. E alguns desses erros cometem-se apenas por haver demasiada gente que, em vez de querer discutir serenamente cada opção, prefere a cegueira do "ou estás connosco ou contra nós".

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008
por Daniel Oliveira
José Sócrates reivindicou ter deixado em três anos de Governo marcas de modernidade no País e citou o candidato norte-americano à nomeação presidencial Barack Obama usando as frases “sim, nós podemos (Yes, we can)”, “sim, nós vamos conseguir” e “sim, nós podemos”, afirmou o primeiro-ministro.

Não sabemos se Obama fará o que promete e estará à altura das expectativas. Mas talvez Sócrates deva perceber duas diferenças:
1. Quando ele diz “Yes we Can”, quer dizer que é possível contrariar o que parece inevitável. O que Sócrates nos diz todos os dias é exactamente o contrário: ele não passa de um gestor do que pensa ser inevitável.
2. Sócrates é um burocrata de partido que chegou a primeiro-ministro porque todas as alternativas pareciam piores. Obama é um homem que está a vencer o establishment do seu partido e pode ganhar quando nunca houve tão bons candidatos. Obama é um candidato que mobiliza os eleitores. Sócrates foi o que restou no meio de tanta frustração. E sobreviverá enquanto a alternativa parecer pior.
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por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008
por Daniel Oliveira


A entrevista a Sócrates, ontem na SIC, não trouxe nada de novo a não ser o reconhecimento do erro e a promessa pouco explícita de abrandamento em relação ao encerramento de urgências hospitalares. De resto, a entrevista é, ela mesma, um excelente retrato da situação política do país. Mais as perguntas do que as respostas. Durante uma hora Sócrates responde a pormenores, enumera medidas, explica (quase sempre com tanta habilidade como falta de rigor) a acção do governo e defende-se de casos. E safa-se bem numa entrevista fácil. Mas não há nenhuma pergunta ou resposta política. É um super-director-geral que ali está. Não há nenhuma pergunta ou resposta sobre o futuro (a não ser sobre o seu próprio futuro) e sobre as razões políticas de cada medida. Sócrates dá uma entrevista defensiva para perguntas defensivas. A verdade é que se a entrevista foi, no mínimo, pouco interessante, teia sido um tédio insuportável se fosse uma entrevista política. Porque Sócrates nunca conseguiria sair do chavão redondo e vazio em que é especialista. Porque Sócrates não tem uma ideia política e não tem uma forma de olhar para o país e para o Mundo: Sócrates repete o lugar-comum para defender políticas que têm um conteúdo político profundo que, provavelmente, ele próprio desconhece. Pior: não precisa de falar de política. A entrevista que deu ontem só podia ser dada num país onde não há uma oposição forte nem confronto político. E no entanto, a política está lá.

No que toca ao emprego, Sócrates foi habilidoso. Tentou até a coisa extraordinária de transformar o aumento do desemprego numa excelente notícia. O aumento da população activa não é propriamente um dado inesperado. A um governante, sobretudo a um governante que ostente a palavra “socialista”, deve interessar saber se há mais ou menos desempregados. E há mais. Muito mais. Tentar esconder isso com a criação de postos de trabalho (não querendo saber sequer que tipo de postos de trabalho) é apenas um truque. O que interessa saber, pelo menos do ponto de vista de quem não tem emprego, é porque é que com este governo atingimos o mais alto nível de desemprego de duas décadas. Até porque, depois de vivermos anos a ouvir falar da crise demográfica para explicar muitos dos problemas do Estado Providência, o aumento da população activa deveria ser uma boa notícia. Mas para isso é preciso que essa população activa esteja a trabalhar.

Quanto à economia, Sócrates agarra-se ao que se pode agarrar, mas fica-se com a estranha sensação de que ele vive num país diferente. E quando chega aos certificados de aforro percebemos o descaramento é total. Quem os tem terá dado por isso e entendido até onde pode ir a falta de rigor de José Sócrates.

Em relação ao Aeroporto e à nova travessia do Tejo, ficou claro que o governo navega à vista e não faz a mais pálida ideia do que anda a fazer e a decidir.

Chegados ao fim da entrevista, Sócrates não mobiliza ninguém. Pode argumentar pior ou melhor, defender-se pior ou melhor, convencer pior ou melhor sobre a bondade de cada reforma, mas não mobiliza ninguém. Nem uma palavra sobre o futuro. Quando se pedem tantos sacrifícios às pessoas (e Sócrates parece nem desses sacrifícios ter consciência) é preciso conseguir explicar para quê e para onde se quer ir. Nada. As perguntas não puxaram por isso. Mas se tivessem puxado tinham esbarrado com um muro de palavras ocas.

Como técnico, falta a Sócrates rigor. Como político, falta-lhe política. Resta-lhe a habilidade. O que é assustador quando se querem fazer tantas reformas. Um bom resumo do pensamento de José Sócrates: mais vale um mau sistema de avaliação dos professores do que avaliação nenhuma. Esta é a máxima que o engenheiro aplica a toda a política. Pois eu acho o contrário: se é para fazer pior, mais vale deixar como está.

por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008
por Daniel Oliveira
Apesar do agravamento da taxa de desemprego no ano passado, para oito por cento, o primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje que o Governo vai conseguir cumprir o objectivo de criar 150 mil novos postos de trabalho até ao final da legislatura.

por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008
por Daniel Oliveira
Quanto mais se sabe sobre Sócrates mais se fica com a sensação de que ele é o Armando Vara que chegou a primeiro-ministro.
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2008
por Daniel Oliveira
O comportamento do primeiro-ministro como engenheiro é politicamente relevante? Não. Mas é relevante do ponto de vista jornalístico. Não se trata de nada que tenha a ver com a vida privada de José Sócrates. É, por isso, legitimamente escrutinável pela comunicação social. Caso Sócrates tenha assinado projectos de que não é autor isso é deontologicamente criticável. É notícia, já que se trata de uma das mais importantes figuras públicas nacionais. É politicamente irrelevante. Se no desmentido, Sócrates tivesse mentido, isso seria bem mais grave.

Quanto ao suposto facto de ter cumprido funções privadas enquanto recebia subsídio de exclusividade de deputado, as coisas são mais simples: se é ilegal, é politicamente relevante, porque se trata uma falha enquanto ocupava um cargo político. Se, como diz Vital Moreira, a notícia não é rigorosa, o jornal "Público" deve corrir o seu erro e pedir por ele desculpa. Se Vital Moreira não tem razão, Sócrates deve responder politicamente por isto.

Em qualquer um dos casos, a reacção do primeiro-ministro a más notícias é infantil. Acusar os jornais de perseguição política, de casa vez que sai uma má notícia, é sinal de pouco espirito democrático. Cabe ao primeiro-ministro, em relação à primeira notícia, garantir que é mesmo autor dos projectos que assinou e, em relação à segunda, que era legalmente aceitável fazer os trabalhos que fez e que os fez realmente de forma gratuita. Mais nada. Os jornais trazem notícias. A isso chama-se liberdade de imprensa. O que interessa é saber se são verdadeiras ou falsas.

Quanto à recorrente acusação de que o "Público" investiga o primeiro-ministro por causa de interesses económicos de Belmiro de Azevedo, nada tem de novo. É a reacção de sempre, sempre que um jornal é desagradável para o poder. E tem graça, tendo em conta que vem do partido que tem resistido a uma verdadeira e eficaz lei anti-concentração da comunicação social. Interessa saber duas coisas: as informações são falsas? O mesmo tipo de informação, sobre um dirigente da oposição, não seria publicada no mesmo jornal? O que não é aceitável é que um jornal cujo proprietário tenha um diferendo com o governo passe a estar limitado na sua liberdade de investigar esse mesmo governo. Nem isso, nem o oposto.

Claro que a exposição de José Manuel Fernandes, que se comporta nos seus editoriais e posições públicas mais como um polemista e político do que como um director de um jornal. ajudam a este tipo de acusação. José Manuel Fernandes fragiliza o "Público" de cada vez que insulta, como já fez várias vezes, dirigentes políticos, dando sinais de não compreender o lugar sensível que ocupa. Para a polémica, o confronto e até, quando necessária, a agressividade argumentativa existem colunistas a que o jornal paga para fazerem isso mesmo. O jornalismo é outra coisa.

por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008
por Daniel Oliveira


O Arrastão lança o Prémio Nacional de Engenharia José Sócrates. Enviem-me fotografias. Link nos comentários, imagens no mail (bloguearrastao arroba yahoo ponto com).
Obrigado. Ajudem a divulgar o que de melhor se faz em Portugal. Porque é injusto mostrar apenas o que Sócrates assinou. Anda por aí muito talento a quem não é reconhecido o devido valor. Como o autor desta pérola.
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por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

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Aqui estão as casas-tipo-méson cujos projectos foram assinados por Sócrates. Assinou os projectos mas não foi da sua refinada cabeça que tamanhos estes mamarrachos. O homem pode não ser muito rigoroso, mas tem bom gosto.
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por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira


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<p style="text-align: center"Via <a href="http://irmaolucia.blogspot.com/2008/01/uma-alegoria-scrates.html">Irmão Lúcia</a></p>
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira


Sócrates diz que foi "sensível aos protestos" e compreendeu "o sentimento psicológico das pessoas". Mas ao ouvir o debate no Parlamento e a entrevista ao seu número dois e clone Silva Pereira ao canal 2 fiquei com a sensação que não percebeu bem o que está em causa. As pessoas estão-se nas tintas para quem lhes fecha as urgências e os SAP. E o problema não é de comunicação, nem sequer é o estilo arrogante do ministro que parte. O problema são na realidade dois problemas: falta de credibilidade do Estado e sentimento de abandono.

A credibilidade: as pessoas não acreditam nas garantias de que as solução que estão a ser implementadas são melhores do que aquelas que têm. Não trocam o certo pelo incerto. Não é apenas conservadorismo ou imobilismo. É experiência em lidar com os nossos poderes públicos e o sentimento de que nos últimos dez ou quinze anos não pararam de perder com mudanças que os governos garantiam ser para melhor.

O abandono: o Interior tem visto fechar correios, escolas, urgências e estações de caminhos de ferro. Quando são serviços imprescindíveis acabam por ser os privados a substituir o que era público e fechou. A única coisa que parece chegar-lhes a casa são auto-estradas, para sairem de lá mais depressa. Muito do que estava a ser feito por Correia de Campos podia parecer racional do ponto de vista estatístico (muito nem isso é), mas a sensação de segurança de cada cidadão não se mede estatisticamente. E não é pura ilusão. Isso é ainda mais evidente quando falamos de saúde. Sobretudo a dos cidadãos mais velhos, que já se sentem completamente desprotegidos em tudo o resto.

Se Sócrates não pretende mudar de rumo na política de saúde não compreendeu nada e não foi sensível a coisa nenhuma. Trabalhou para os jornais e para os opinadores. Só que os medos fundados e infundados das pessoas são uma coisa muito mais profunda. É indiferente quem seja o ministro. Há forma de fazer bem: não mudar o que está bem e, para o que está pior, dar melhor antes de tirar. Ao afirmar que «não encerraremos mais urgências antes de existirem alternativas» Sócrates pode ir pelo caminho certo. Com a condição de saber que há matérias em que a confiança demora a conquistar-se e que não basta a opinião de burocratas para a garantir. Demora mais tempo do que a mudança de humor de colonistas e jornalistas.

por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira
Os professores são os profissionais em quem os portugueses mais confiam e também aqueles a quem confiariam mais poder no país, segundo uma sondagem mundial efectuada pela Gallup para o Fórum Económico Mundial (WEF). Os professores merecem a confiança de 42 por cento dos portugueses, muito acima dos 24 por cento que confiam nos líderes militares e da polícia, dos 20 por cento que dão a sua confiança aos jornalistas e dos 18 por cento que acreditam nos líderes religiosos.

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira
2005: «O PS entende que é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação e ratificação do Tratado deva ser precedida de referendo popular, amplamente informado e participado, na sequência de uma revisão constitucional que permita formular aos portugueses uma questão clara, precisa e inequívoca.»
Programa eleitoral do PS/2005
2007: «Os dois tratados são quase iguais?
«É a minha opinião»

José Sócrates

2008: «O PS tinha um compromisso com o Tratado Constitucional. Agora é o Tratado de Lisboa, que não existia na altura. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. As circunstâncias alteraram-se completamente. É um tratado diferente»
José Sócrates

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Merkel, Sarkozy e Brown forçam Sócrates a ratificar tratado europeu na AR. Conversas foram decisivas para a opção de deixar cair o referendo

por Daniel Oliveira
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