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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Olá, olá, daqui fala o amor

Sérgio Lavos, 23.05.12

 

Talvez com medo de que o ministro fizesse uma figura parecida à que fez na comissão de inquérito às secretas, lá teve a maioria parlamentar PSD/CDS de chumbar a sua ida à Assembleia para esclarecer a razão da chantagem, das ameaças e das contradições no caso Público/Relvas. Tudo bem. Simboliza uma escolha: o Governo decide proteger um dos seus pontos mais fracos, arriscando um longo período de fogo lento na opinião pública. Lá terá as suas razões. Mas, e se as razões forem, na realidade, as melhores possíveis? E se na origem de tanto zelo estivesse o papel do próprio primeiro-ministro no problema que dá pelo nome de Silva Carvalho? E se Miguel Relvas estiver a expor o peito às balas para proteger Passos Coelho? No fim de contas, foi o próprio Público que noticiou as reuniões entre o ex-espião e Passos Coelho, há pelo menos um ano*. Talvez até tenha sido Relvas a proporcionar o bonito encontro de espíritos entre Silva Carvalho e Passos Coelho - via loja Mozart - mas a partir do momento em que o produto tóxico tocou as mãos do primeiro-ministro, tudo terá ficado contaminado. E que relação terá este bonito ménage à trois com a notícia do Público que o ministro da propaganda conseguiu abafar com os seus exaltados telefonemas? O amor é verdadeiramente uma coisa bonita - e ainda agora a história começou.

 

*Actualizado com link - obrigado ao comentador Joe Strummer.