Segunda-feira, 2 de Abril de 2012
por Sérgio Lavos

No mesmo dia em que foi anunciado o abandono definitivo do TGV, Álvaro prometeu uma ligação ferroviária entre Sines e Badajoz em bitola europeia, a fim de "facilitar as exportações portuguesas para a Europa". Não se sabe se a alta, média ou muito lenta velocidade - essa já existe, por Vilar Formoso, mas isso é um pormenor. Sabe-se é que a linha terminará certamente em Badajoz, dado que Espanha não acompanhou o anúncio do ministro e os seus comboios vão continuar a circular sobre linhas com bitola ibérica. Haverá um portal espaço-tempo no fim da lina Sines-Badajoz, com saída directa em Hendaya, já com bitola europeia? Ou recorrerá Álvaro a algum iogi indiano capaz de conseguir fazer levitar os comboios vindos de Portugal sobre terras de nuestros hermanos? Conhecendo o Álvaro, sabemos que tudo é possível. Aguardemos.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (95) | partilhar

Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012
por Sérgio Lavos

Passei os olhos por este post - simplesmente cretino, querer pôr-se em bicos de pés no dia em que se lembra um homem que deu mais ao país e ao mundo do que mil Euricos dariam em mil anos, mas enfim - e lembrei-me de um texto que o crítico escrevera há uns anos sobre o filme Os Amantes Regulares, de Philipp Garrel. Congratulo-o a ele e ao mundo em geral por agora poder publicar num blogue as baboseiras com ideologia na ponta das unhas que em tempos transpiravam por entre textos sobre cinema escritos com os dois pés esquerdos; e ambos com gota. Não sei contudo se, por agora poder expressar livremente o seu arrazoado ideológico de direita, perorando sobre os "princípios perigosamente lunáticos da esquerda mais radical" no falhado blogue do passismo, terá deixado de o fazer nos textos de crítica cinematográfica que, julgo eu, ainda escreve para o Diário de Notícias. Também não me interessa. Confirmo que nada mudou, e agora pode Eurico regressar ao medíocre anonimato de onde assomou por momentos. Bom timing: no fim de contas, a efeméride do dia de ontem apenas acontece uma vez na vida. Zeca Afonso, no entanto, é eterno.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (45) | partilhar

Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
por Sérgio Lavos

Açores, Madeira, Lisboa, Porto, Sines, Torres Vedras, Loures, Amadora, Vila Real, Ovar, Figueira da Foz e Cascais decidiram mostrar o dedo a Pedro Passos Coelho e vão dar tolerância de ponto no dia 21 de Fevereiro. E ainda faltam 12 dias para o Carnaval. Este ano, os caretos vão andar para as bandas de São Bento.

 

Adenda: os bancos, incluindo o Banco de Portugal irão estar encerrados na terça-feira de Carnaval. E Marcelo Rebelo de Sousa diz que o Governo "perdeu [a batalha] a nível nacional, regional e local". Terá aprendido a lição, o pobre - ganha pouco, coitado - político Coelho?


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (54) | partilhar

Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012
por Sérgio Lavos

Passos Coelho considera que os políticos não são bem pagos.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012
por Sérgio Lavos

«Nós tivemos com os chineses uma relação milenária [SIC], através de Macau.» - Manuela Ferreira Leite. 

 

Alguém que precisa de explicadores do seu discurso, pouco ou nada percebe de história e mal sabe falar é pago precisamente para falar num programa televisivo. Uma das luminárias que nos assombram. Será que era também a ela que o Coelho se referia quando falava das "tradições antigas" que têm de desaparecer? 

 

(Via Delito de Opinião).


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012
por Miguel Cardina

Passos pede aos portugueses para serem “mais exigentes” e “menos piegas”.


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (17) | partilhar

Domingo, 5 de Fevereiro de 2012
por Miguel Cardina

 

Já foi mais do que desmontada a ideia de que acabar com feriados contribui para resolver algum problema da nossa economia. Em muitos casos, é o seu contrário: pense-se por exemplo nos ataques às economias locais que esta medida tem. A verdade é que para o extremismo liberal isso não é o essencial. O essencial é a performance de quem ofende porque pode estar na ofensiva. De quem pune porque visa instituir uma agenda neoconservadora. De quem procura rasurar a alegria, a festa e a criatividade comunitária porque o extremismo liberal é também um ataque à diversidade da vida social. Em 1993, quando Cavaco decidiu suprimir a tradicional tolerância de ponto, o gesto acabou por lhe sair caro. Os tempos são outros, mas não é crível que Pedrito permaneça intocado. Torres Vedras já deu o mote e prepara uma manifestação. O Presidente do Carnavel de Ovar atinge o primeiro ministro com uma suprema desconsideração. Os sindicatos prometem "uma resposta adequada". Ou muito me engano ou este entrudo vai ter pouco de quarta-feira de cinzas.


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (54) | partilhar

Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

"A rede conspirativa que se vai instalando na terra tem claramente origem em formações comunistas proclamadamente ateias. Basta olhar-se para o esquema organizativo que vai chegando ao conhecimento público para nele se reconhecer a mãozinha sinuosa dos jacobinos e dos maoistas de terceira geração. O que está em jogo tem sempre dois pés para andar: um deles, vai sendo gradualmente desvirtuado, o da utopia do Indivíduo; o outro, avança e calça a botifarra nazi.

 

A história do Manifesto Comunista poderia, em princípio, parecer um conto de fadas. Mas os quadros dos anúncios que aí se promovem são bem reais. A democracia e as liberdades foram um sonho mal escrito e mal entendido pelos homens. As maiorias enganaram-se nas encruzilhadas dos caminhos. E a própria cúpula soviética surgiu com uma inesperada novidade: agora, as hierarquias querem destruir as estruturas da sua própria sociedade para depois realizarem o sonho mefistofélico de um socialismo apocalíptico que represente o universo de interesses dum Estado comunista mundial. Tudo poderia ser pura imaginação não fosse o caso do enunciado teórico do Manifesto ser acompanhado por uma listagem de objectivos a curto e médio prazos: um governo mundial oculto que promova uma Nova Ordem mundial; um único sistema económico, financeiro e monetário, de obediência universal; o fim das crises económicas através da ocupação, por um só exército, de todas as fontes mundiais de matérias-primas e energia, mesmo que para isto seja de prever o desencadear de uma III Guerra Mundial; e o estabelecimento de um Pensamento Único cuja chefia seja desempenhado pela Soviete Supremo.

 

Todos os antecedentes desta Nova Era estão lançados ou funcionam já. Há políticas altamente complexas, como as que intervêm na crise financeira internacional, no terrorismo, nas área do gás e do petróleo, etc., que necessariamente estão a ser já coordenadas por um único governo oculto. As grandes disputas financeiras que convergem nos benefícios da hierarquia do Partido e nas mega fusões, nos triunviratos ou nas guerrilhas entre as diversas facções denunciam a existência actual de gigantescas centrais comunistas articuladas entre si. Em tudo, desde as relações entre as pessoas até ao convívio entre os estados, os ricos serão despojados e os proletários tomarão o lugar deles, invertendo a pirâmide. Embora as lutas de classes subam de tom.

 

Dá-se como certo que na base deste tenebroso programa final figuram os anti-sionistas, a China e a Coreia do Norte. Nada custa a crer que assim seja: o plano actual da Nova Era tem as marcas do «Apocalipse», das ambições planetárias ilimitadas dos grandes estados ocidentais, das alfurjas das caves de Beijing  e da conspiração comunista e das suas tenebrosas ordens secretas, laicas e ateias. 

 

Uma nota informativa complementar: o Manifesto não é profético. Foi redigido de uma só vez, para sempre. É um texto que inclui tópicos de matérias já conhecidas no seu tempo. Depois, vão sendo actualizadas à medida do tempo que passa. E os seus mentores e condutores do processo são os sovietes que repartem ligações entre a China, a Coreia do Norte, o Irão e Cuba .

 

Voltaremos a este tema. Quem lê os jornais portugueses cada vez mais se enreda na confusão."

Texto publicado no Wall Street Journal, escrito por George Messiah.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (30) | partilhar

Sábado, 10 de Setembro de 2011
por Sérgio Lavos

Depois de há dias o director do I, António Ribeiro Ferreira, ter escrito um editorial onde afirmava que se deveria "partir a espinha" aos sindicatos, esse veneno que empesta o ar puro do neoliberalismo que respiramos, ontem ainda conseguiu ir mais longe, escrevendo um dos mais cretinos panfletos anti-islâmicos - e, já agora, anti-Obama, destilando ódio em cada sílaba do texto - já publicados na imprensa portuguesa - e deve-se dizer que, ao longo dos anos, a concorrência tem sido grande. Será que o Tea Party já abriu uma delegação em Portugal? Ou será Ribeiro Ferreira um dos trabalhadores a quem o novo dono do jornal, a quando da aquisição, prometia não pagar, sendo a sucessão de textos alimentados pelo ódio difuso uma consequência da nova política laboral?


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (32) | partilhar

Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011
por Sérgio Lavos

Vai, não vai, se calhar é má ideia. Ou não. Não sabemos, pronto. Vai-se ver. E tal. 

 

(Tanto assessor contratado para dar nisto, neste atarantamento. Assim não, sr. Relvas & Co. Lda. Vamos lá, não são as medidas que estão erradas, é "apenas" um problema de comunicação. Dá-lhe com força nesse spinning.)


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

por Sérgio Lavos

 Há coisas que não mudam. Helena Matos continua a cavalgar o seu delírio anti-esquerdista, não poupando meios para atacar as derivas progressistas da sociedade actual. Não se poupa inclusive ao disparate que, como não paga (para já) imposto, é disponibilizado gratuitamente em doses maciças nos blogues liberais da nossa praça. Neste texto, por exemplo, apresenta várias incorrecções: quem quiser obter uma receita para a aquisição da pílula contraceptiva não precisa de pagar; as consultas de planeamento familiar são gratuitas. As farmácias não vendem a pílula sem receita médica, por isso não há ninguém que possa "poupar tempo e dinheiro" comprando a pílula sem receita*. E também gostaria de saber quando e por quem foi apresentada a "venda da pílula sem receita médica como uma vitória das mulheres e do planeamento familiar". Em que mundo é que a Helena vive é outra questão, mas não será certamente o mundo de quem recorre ao SNS por não ter dinheiro para pagar seguros de saúde ou clínicas privadas. Isso é certo.

 

*Afinal há um facto que está correcto, e aqui errei eu. Pode-se comprar a pílula contraceptiva sem receita. Não é, neste caso, comparticipada, como é evidente. Fica a correcção.

 

Adenda à minha correcção: Helena Matos, afinal, não deu uma para a caixa, e eu não errei na primeira versão: a pílula contraceptiva não é um medicamento de venda livre (não se encontra à venda nas parafarmácias, por exemplo). Se há farmácias que a vendem sem receita, estão a infringir a lei (como acontece em outros casos). Obrigado aos comentadores que na caixa deste post esclareceram o assunto, sobretudo à Ana Matos Pires que, sendo médica, não deixa margem para dúvidas sobre a questão.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (34) | partilhar

Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Economizar nos transplantes. Não só se poupará dinheiro em desnecessárias operações como se acabará mais depressa com esses parasitas do Estado, os utentes do Serviço Nacional de Saúde - neste caso, os doentes que esperam por um transplante. Brilhante.

 

*A expressão é o título de um livro de Ernesto Sampaio.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (15) | partilhar

por Sérgio Lavos

 

 

Criar um imposto sobre a fast-food. Diz o Bastonário da Ordem dos Médicos que "um duplo cheeseburguer e um pacote de batatas fritas equivalem a 2200 calorias e é preciso uma maratona para as queimar". Eu iria mais longe que o excelentíssimo Bastonário: por que não tornar obrigatória a inscrição numa das maratonas que se fazem por cá a cada português que entre num restaurante para comer um hambúrguer e batatas fritas? E será que os hambúrgueres de soja poderão ser abrangidos por esta nova taxa? E isso não irá afastar as cadeias de fast-food, acentuando o declínio da economia nacional? 


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (22) | partilhar

Domingo, 4 de Setembro de 2011
por Miguel Cardina

PPC, hoje (1): Pedro Passos Coelho afirmou hoje em Castelo de Vide, no encerramento da Universidade de Verão do PSD, que espera fazer do ano de 2012 o “ano do princípio do fim da emergência nacional”. “Como todos os períodos de transição, será um ano duro, repleto de desafios e de obstáculos. Juntos iremos vencê-los. No fim deste processo, teremos adaptado a nossa economia ao regime mais exigente que vivemos hoje”, afirmou.

 

PPC, hoje (2): "Nós não confundiremos o exercício dessas liberdades com aqueles que pensam que podem incendiar as ruas e ajudar a queimar Portugal. Pode haver quem se entusiasme com as redes sociais e com aquilo que vê lá fora, esperando trazer o tumulto para as ruas de Portugal”, mas, acentuou Passos Coelho, “nunca iremos por aí”.


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (15) | partilhar

Terça-feira, 9 de Agosto de 2011
por Sérgio Lavos

 

O reverso do capitalismo explorador é a violência organizada com recurso a objectos simbólicos desse mesmo capitalismo explorador. Os motins em Inglaterra deixaram de ter alguma coisa a ver com contestação social e não têm qualquer motivação política pela qual valha a pena lutar, qualquer ideologia que os sustente. Os maiores prejudicados pela violência estão a ser as comunidades marginalizadas, os pequenos comerciantes e os pobres que estão a ver o pouco que têm ser destruído por gangs. A Revolução Blackberry aos burgueses revolucionários que a merecem: é toda vossa, a destruição e o enorme vazio ideológico que a impulsiona. Estão bem uns para os outros.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (44) | partilhar

Sábado, 12 de Fevereiro de 2011
por Sérgio Lavos

Desta feita, apresenta-se novo candidato a Gabriel Malagrida da nossa era: Pacheco Pereira. António Figueira escreve-lhe um delicioso e imaginário epitáfio. Ah, ia tão bem agora uma suspensãozinha da democracia, não ia? A vida não é mesmo nada justa. But, then again, we will always have Marmeleira.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Domingo, 6 de Fevereiro de 2011
por Miguel Cardina

Base de dados da PSP refere religião, fé e tendências políticas dos cidadãos.


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011
por Sérgio Lavos

O futuro prémio Nobel da literatura disserta sobre as origens da psicopatologia humana e a outras disfunções do foro criminal:

 

O serviço militar obrigatório acabou sem qualquer debate público, como se fosse uma coisa sem importância nenhuma. Ora, para muita gente, era uma directriz. Havia jovens vindos da província que tomavam na tropa o primeiro banho! E às vezes aprendiam ofícios - como cozinhar ou conduzir - que lhes davam uma ferramenta para a vida, além de regras de disciplina que ficavam pelo tempo fora. Este jovem que estava em Nova Iorque com Carlos Castro - que terrível coincidência a proximidade entre as palavras Castro e castrado - noutra época estaria a cumprir o serviço militar e não teria dado cabo da vida.'

 

Só este maravilhoso parágrafo (citado no Jugular) daria pano para mangas, mas lendo o artigo todo ainda se encontram mais pérolas de um calibre tão afinado como este. E fica aqui o apelo: por favor, não deixe de escrever, sr. arquitecto. Sem si (e sem João César das Neves, João Carlos Espada e aquela Bibá que de vez em quando escreve sobre a VIDA no Público) tudo isto teria muito menos piada. Impagável.


por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010
por Pedro Sales

 

Fotografia Daniel Rocha: Público


por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (32) | partilhar

Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010
por Pedro Sales

 

Provando que também entrou em contenção de despesas, os membros do Governo agora debitam todos (o mesmo discurso) a mesma cassete. É a crise, é a crise.


por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Sábado, 13 de Novembro de 2010
por Pedro Sales
Qualquer pessoa que tenha passado os olhos pela caixa de comentários dos jornais online (*), e se tenha pasmado com a onipresença do insulto mais reles e gratuito a propósito de tudo e de nada, não pode deixar de estremecer de terror perante a criação, no site da Procuradoria-Geral da República, de uma página para receber denúncias anónimas sobre “casos de corrupção e fraude”.

O mais grave nem é a tal página se transformar, como há de acontecer mais cedo que tarde, num disputado campeonato para a denúncia da vizinha de quem não se gosta porque estaciona o carro à frente da porta errada, ou do colega de escritório que ficou com “aquela” promoção. Estamos em Portugal e não demorará muito para que a quantidade e banalidade das denúncias torne esta iniciativa tão irrelevante e rapidamente esquecida pelos próprios proponentes como o "tribunal" virtual no second life.

Preocupante é perceber o grau zero da cultura democrática que preside à criação de uma página com estes fins e propósitos, ou entender que o sistema judicial está dependente, e nas mãos, de responsáveis que já perderam toda e qualquer noção do que é a cidadania e o mais elementar respeito pelo direito ao bom nome dos cidadãos. Pior do que uma república de juízes, só uma república de juízes alimentada pelos devaneios de meia dúzia de bufos ressentidos. Isso sim, é inquietante.

(*) curiosamente não moderados, ao contrário de blogues como o arrastão.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (35) | partilhar

Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010
por Pedro Sales


"Senti um aperto no coração" por ter de implementar estas medidas. José Sócrates, 30 de Setembro de 2010, na Assembleia da República.

[vim] "partilhar o contentamento da comunidade católica com alegria e com luz no coração", José Sócrates, 5 de Outubro, na inauguração da Igreja Católica de Alfragide.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (17) | partilhar

Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010
por Pedro Sales


Espiões militares seguem para teatro de operações do Afeganistão no Outono. O ministro acredita que também no Líbano - os militares portugueses participam na UNIFIL - deve haver este "instrumento". Augusto Santos Silva, ao I.

Espiões militares portugueses é um eufemismo, ou um código militar, quem sabe, para caracterizar aqueles sujeitos cujos nomes costumam circular com maior rapidez e publicidade que os números de telefone das páginas amarelas. Mas, se forem tão bem treinados como os seus colegas civis, isto vai ser rápido.

Durante uma operação de vigilância a um político congolês, o operacional do SIS saiu por instantes da viatura para atender um telefonema, mas cometeu o erro fatal de deixar as chaves na ignição. Foi nesse momento de distracção que alguém terá entrado dentro do carro e partido a toda a velocidade, não dando margem para o agente reagir.

Dentro da viatura, um Fiat Stilo cinzento, estava todo o material de observação utilizado pelo SIS nas operações a que se dedica: um conjunto com três placas de matrícula falsas - vulgarmente utilizados nas operações à paisana -, uma câmara de vídeo, várias máquinas fotográficas e telefones móveis.

Mas este não foi o primeiro caso de furto de automóveis do SIS. Em 2004, numa operação levada a cabo na Malveira, perto de Mafra, um outro veículo foi furtado, depois de a equipa de operacionais se ter ausentado por momentos para executar uma tarefa policial. O automóvel, igualmente equipado, também não apareceu.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Sexta-feira, 16 de Julho de 2010
por Sérgio Lavos
Cada vez que passo na rua e vejo uma janela com cortinas, estremeço de medo, não esteja um árabe assassino por trás dela.

Deixei de ir ao teatro, porque entro em pânico enquanto a cortina está fechada. Há muçulmanos no palco dos teatros (sabiam?), por detrás das cortinas, só com o intuito de matar judeus. Eu não sou judeu, mas posso apanhar por tabela. Essa é que é essa.

Eu um dia até pensei ir ver um show de dança do ventre mas, quando me disseram que a senhora tinha a cara tapada, vi logo que só podia ser uma bombista suicida e que o cinto dela era explosivo de plástico com acabamentos de dourado. A mim não me apanham, malandros!

Eu nem deixei que me tirassem o apêndice porque os malditos médicos, decerto muçulmanos raivosos, estão com a cara tapada na sala de operações e podem matar-me. Mesmo não sendo eu judeu nem norte americano (não tanto a norte, porque os canadianos não sofrem do mesmo mal), o risco é sempre elevado.

E outro dia dei uma tareia numa senhora que ia na rua com uma máscara a tapar a boca. Depois disseram-me que ela tinha um cancro e que se notava logo pela debilidade e, sobretudo, pela falta de cabelo. Mas não importa. Essa senhora era um risco para a minha segurança. Muçulmana, por certo... acho eu.

Ele há coisas que já são exagero ou paranóia. Tem medo, Jorge Costa? Compre um cão! E se já tiver, treine-o a cheirar bombinhas de carnaval.



Este é um comentário deixado por Guilherme Cunha a um post d'O Cachimbo de Magritte que fala por si:

Esta mulher (?) [imagem de mulher usando uma burka] não é livre, que eu sei. Nenhum sofisma relativista argumentando o contrário é convincente. Porém, a minha objecção à burka não resulta de eu querer libertá-la à força. Não. Resulta de que ela interfere na minha liberdade. Ao estabelecer no espaço público um direito de presença que se furta à responsabilidade da identificação espontânea. Não sei com quem me cruzo. Não posso, nem devo sentir-me seguro. E, se não posso sentir-me razoavelmente seguro, tenho a minha liberdade diminuída. Eu sei que, tratando-se de um símbolo religioso, impedi-la de se esconder assim é particularmente delicado. Mas estes são os casos-limite em que o direito ao exercício de uma prática religiosa, por mais aberrante que seja - e é -, conflitua com outras liberdades e outros direitos: nomeadamente o meu - a sentir-me protegido, por poder identificar quem partilha comigo o mesmo espaço público.



Ou não há problema que as pessoas andem assim na rua?

(via Sem Governo).



por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

Segunda-feira, 5 de Abril de 2010
por Pedro Sales


Sócrates mentiu! Como é óbvio, não pode ter feito estas casas a "pedido de amigos". Há coisas que não se fazem aos nossos piores inimigos, quanto mais aos amigos.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010
por Pedro Sales


"O que é bom na vida é o que o Luís estava a falar. Ler um bom livro, estar com a namorada em casa a ver um filme, ir ao cinema, mas os últimos anos em Portugal é que nos estão a impedir de só fazer isso."jornal I, 11 de Fevereiro)

Henrique Raposo, um dos promotores da manifestação "Todos pela liberdade", provando que o que não falta por aí são desculpas esfarrapadas para não estar com a namorada.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009
por Pedro Sales



Carolina Patrocínio, mandatária para a juventude do PS: “Odeio os caroços nas frutas. Só como cerejas quando a minha empregada tira os caroços por mim. E uvas sem grainhas. É uma trabalheira”. (vídeo aqui, aos 8.03)

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (87) | partilhar

Domingo, 21 de Dezembro de 2008
por Pedro Sales



Um dia depois do ministro Santos Silva ter escrito um post sobre os riscos do populismo, ficámos a saber que o antigo "número dois" de Avelino Ferreira Torres, Norberto Soares, vai ser o candidato do Partido Socialista à Câmara de Marco de Canaveses. Parafraseando as certeiras palavras de Augusto Santos Silva, "quem se rende ao populismo não ama a democracia".


por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008
por Pedro Sales



O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, admitiu que o Governo pode retirar as garantias que deu à banca se as instituições não acederem em dar crédito às empresas. 17 de Dezembro de 2008.

O ministro das Finanças admite novas medidas para apoiar a banca e incentivar a concessão de crédito às famílias e às empresas. Depois de ontem ter pressionado a banca a conceder mais crédito, ameaçando intervir se o aval do estado fosse mal utilizado, Teixeira dos Santos recua e até admite mais apoios. 18 de Dezembro de 2008

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

por Pedro Sales



O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, admitiu que o Governo pode retirar as garantias que deu à banca se as instituições não acederem em dar crédito às empresas. 17 de Dezembro de 2008.

O ministro das Finanças admite novas medidas para apoiar a banca e incentivar a concessão de crédito às famílias e às empresas. Depois de ontem ter pressionado a banca a conceder mais crédito, ameaçando intervir se o aval do estado fosse mal utilizado, Teixeira dos Santos recua e até admite mais apoios. 18 de Dezembro de 2008

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

por Pedro Sales



O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, admitiu que o Governo pode retirar as garantias que deu à banca se as instituições não acederem em dar crédito às empresas. 17 de Dezembro de 2008.

O ministro das Finanças admite novas medidas para apoiar a banca e incentivar a concessão de crédito às famílias e às empresas. Depois de ontem ter pressionado a banca a conceder mais crédito, ameaçando intervir se o aval do estado fosse mal utilizado, Teixeira dos Santos recua e até admite mais apoios. 18 de Dezembro de 2008

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008
por Pedro Sales



A terminar um extenso perfil de Maria de Lurdes Rodrigues, o Público perguntou à ministra da Educação que partilhasse um dos bons momentos que teve no ministério da Educação. A questão é pertinente. Ao fim de três anos e meio no ministério é normal que a ministra da Educação se tenha cruzado com uma criança que a escola retirou da marginalidade, do trabalho precoce ou, quem sabe, um adulto que, graças às novas oportunidades, conseguiu completar a escolaridade a que nunca teve acesso quando era jovem.

A resposta da ministra? Foi "uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa, não sei já em que circunstância, e escreveu-me a dizer: 'Quando for grande, vou inscrever-me no PS.' É tocante." Realmente, o que importa o combate ao abandono e insucesso escolar perante a miragem de mais um jovem rebento a inscrever-se na JS? O que nos vale é que há pessoas que passam a sua vida a pensar no que é verdadeiramente importante para o país.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (24) | partilhar

por Pedro Sales



A terminar um extenso perfil de Maria de Lurdes Rodrigues, o Público perguntou à ministra da Educação que partilhasse um dos bons momentos que teve no ministério da Educação. A questão é pertinente. Ao fim de três anos e meio no ministério é normal que a ministra da Educação se tenha cruzado com uma criança que a escola retirou da marginalidade, do trabalho precoce ou, quem sabe, um adulto que, graças às novas oportunidades, conseguiu completar a escolaridade a que nunca teve acesso quando era jovem.

A resposta da ministra? Foi "uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa, não sei já em que circunstância, e escreveu-me a dizer: 'Quando for grande, vou inscrever-me no PS.' É tocante." Realmente, o que importa o combate ao abandono e insucesso escolar perante a miragem de mais um jovem rebento a inscrever-se na JS? O que nos vale é que há pessoas que passam a sua vida a pensar no que é verdadeiramente importante para o país.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (24) | partilhar

por Pedro Sales



A terminar um extenso perfil de Maria de Lurdes Rodrigues, o Público perguntou à ministra da Educação que partilhasse um dos bons momentos que teve no ministério da Educação. A questão é pertinente. Ao fim de três anos e meio no ministério é normal que a ministra da Educação se tenha cruzado com uma criança que a escola retirou da marginalidade, do trabalho precoce ou, quem sabe, um adulto que, graças às novas oportunidades, conseguiu completar a escolaridade a que nunca teve acesso quando era jovem.

A resposta da ministra? Foi "uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa, não sei já em que circunstância, e escreveu-me a dizer: 'Quando for grande, vou inscrever-me no PS.' É tocante." Realmente, o que importa o combate ao abandono e insucesso escolar perante a miragem de mais um jovem rebento a inscrever-se na JS? O que nos vale é que há pessoas que passam a sua vida a pensar no que é verdadeiramente importante para o país.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (24) | partilhar

Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
por Pedro Sales



O Banco de Portugal justifica o aumento do desemprego de longa duração com o "generoso" regime do subsídio de desemprego. Pouco importa ao BP que as duas últimas alterações legislativas, em 2003 e 2007, tenham diminuído a abrangência do subsídio e reduzido o número dos seus beneficiários, tornando incompreensível a associação efectuada pela instituição liderada por Vítor Constâncio. O desemprego de longa duração tem aumentado, claro, como é normal num país onde o crescimento médio dos últimos oito anos tem sido inferior a 1% e que, entretanto, viu o número de desempregados quase duplicar.

O Banco de Portugal entende que o subsídio de desemprego é generoso. Faria melhor em olhar para a prodigalidade das remunerações e reformas do seu quadro de pessoal, ou para a produtividade quase nula dos seus quadros. Com a entrada em vigor da moeda única, a tarefa do Banco de Portugal limitou-se à regulação - que entregou a pouco mais de 60 técnicos, com os resultados conhecidos - ficando mais de 1600 técnicos a realizar estudos e projecções macroeconómicas. Parece que há por aí muita gente a necessitar urgentemente de procurar nova ocupação. Mas não se preocupem. Afinal, podem sempre contar com a generosidade do subsídio de desemprego.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

por Pedro Sales



O Banco de Portugal justifica o aumento do desemprego de longa duração com o "generoso" regime do subsídio de desemprego. Pouco importa ao BP que as duas últimas alterações legislativas, em 2003 e 2007, tenham diminuído a abrangência do subsídio e reduzido o número dos seus beneficiários, tornando incompreensível a associação efectuada pela instituição liderada por Vítor Constâncio. O desemprego de longa duração tem aumentado, claro, como é normal num país onde o crescimento médio dos últimos oito anos tem sido inferior a 1% e que, entretanto, viu o número de desempregados quase duplicar.

O Banco de Portugal entende que o subsídio de desemprego é generoso. Faria melhor em olhar para a prodigalidade das remunerações e reformas do seu quadro de pessoal, ou para a produtividade quase nula dos seus quadros. Com a entrada em vigor da moeda única, a tarefa do Banco de Portugal limitou-se à regulação - que entregou a pouco mais de 60 técnicos, com os resultados conhecidos - ficando mais de 1600 técnicos a realizar estudos e projecções macroeconómicas. Parece que há por aí muita gente a necessitar urgentemente de procurar nova ocupação. Mas não se preocupem. Afinal, podem sempre contar com a generosidade do subsídio de desemprego.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

por Pedro Sales



O Banco de Portugal justifica o aumento do desemprego de longa duração com o "generoso" regime do subsídio de desemprego. Pouco importa ao BP que as duas últimas alterações legislativas, em 2003 e 2007, tenham diminuído a abrangência do subsídio e reduzido o número dos seus beneficiários, tornando incompreensível a associação efectuada pela instituição liderada por Vítor Constâncio. O desemprego de longa duração tem aumentado, claro, como é normal num país onde o crescimento médio dos últimos oito anos tem sido inferior a 1% e que, entretanto, viu o número de desempregados quase duplicar.

O Banco de Portugal entende que o subsídio de desemprego é generoso. Faria melhor em olhar para a prodigalidade das remunerações e reformas do seu quadro de pessoal, ou para a produtividade quase nula dos seus quadros. Com a entrada em vigor da moeda única, a tarefa do Banco de Portugal limitou-se à regulação - que entregou a pouco mais de 60 técnicos, com os resultados conhecidos - ficando mais de 1600 técnicos a realizar estudos e projecções macroeconómicas. Parece que há por aí muita gente a necessitar urgentemente de procurar nova ocupação. Mas não se preocupem. Afinal, podem sempre contar com a generosidade do subsídio de desemprego.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar

Domingo, 9 de Novembro de 2008
por Pedro Sales



Se os eleitores brancos se dividiram entre McCain e Obama, mas este último concentrou “na quase totalidade o voto preto” é porque o racismo dos brancos americanos é “uma memoria triste”, mas "o racismo dos pretos americanos é, se calhar, uma questão actual". Alberto Gonçalves assina os seus artigos como sociólogo, mas olha para o mundo da forma que um programador informático olha para o ecrã. Por muito complexo que seja, não há problema que escape a uma lógica binária. Não recorrendo a zeros e uns, a ferramenta de Gonçalves são os adjectivos. A metro.

Obama foi o primeiro candidato presidencial em mais de 200 anos de democracia nos EUA. Muitos negros, a maioria?, nunca acreditaram ver um presidente afro-americano em vida. A história parecia dar-lhes razão. Não é preciso recuar muito. Há 50 anos ainda havia estados que dispunham de autocarros para brancos e autocarros para negros. O mesmo se passava com as escolas. Mas Alberto Gonçalves acredita que, perante a realidade da discriminação e o poder simbólico de eleger um presidente como Obama, foi o racismo que empurrou os afro-americanos para votar massivamente num “dos seus”. Que a mais antiga democracia do mundo tenha conhecido mais de 100 candidatos brancos e só um negro é um despiciendo pormenor que não apoquenta Alberto Gonçalves. É racismo, diz, fazendo tábua rásua das implicações históricas e culturais do último acto eleitoral, como se as motivações de voto dos vários grupos demográficos pudessem ser todas encaixadas na mesma grelha de análise. Mas também não tenho grandes ilusões que Alberto Gonçalves alguma vez perceba que nem tudo funciona com a simplicidade mecânica dos interruptores.

Nota: Alberto Gonçalves entende que esta ilustração do Pedro Vieira, recriando Obama de punho erguido no pódio olímpico de 68, é uma alucinação, própria de quem pretende que Obama recrie "o "black power" que "envolveu delitos comuns, violência, reivindicações de supremacia e segregação racial e ódio, imenso ódio". Sobre a alucinação estamos conversados. Quanto ao resto, é engraçado que Alberto Gonçalves refira que Tommie Smith e John "assinalaram, em pleno pódio, o desprezo pelo país que aceitaram representar".E é engraçado por que faz algumas décadas que estes atletas foram reintegrados pelo mainstream americano, fazendo parte da organização das olimpíadas de 1984, recebendo várias distinções e editoriais defendendo o seu gesto. A universidade de San Jose dedicou-lhes, até, uma estátua. Alberto Gonçalves está atrasado umas décadas. O que até lhe confere uma imagem de modernidade em relação a tudo o resto que escreve.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (63) | partilhar

por Pedro Sales



Se os eleitores brancos se dividiram entre McCain e Obama, mas este último concentrou “na quase totalidade o voto preto” é porque o racismo dos brancos americanos é “uma memoria triste”, mas "o racismo dos pretos americanos é, se calhar, uma questão actual". Alberto Gonçalves assina os seus artigos como sociólogo, mas olha para o mundo da forma que um programador informático olha para o ecrã. Por muito complexo que seja, não há problema que escape a uma lógica binária. Não recorrendo a zeros e uns, a ferramenta de Gonçalves são os adjectivos. A metro.

Obama foi o primeiro candidato presidencial em mais de 200 anos de democracia nos EUA. Muitos negros, a maioria?, nunca acreditaram ver um presidente afro-americano em vida. A história parecia dar-lhes razão. Não é preciso recuar muito. Há 50 anos ainda havia estados que dispunham de autocarros para brancos e autocarros para negros. O mesmo se passava com as escolas. Mas Alberto Gonçalves acredita que, perante a realidade da discriminação e o poder simbólico de eleger um presidente como Obama, foi o racismo que empurrou os afro-americanos para votar massivamente num “dos seus”. Que a mais antiga democracia do mundo tenha conhecido mais de 100 candidatos brancos e só um negro é um despiciendo pormenor que não apoquenta Alberto Gonçalves. É racismo, diz, fazendo tábua rásua das implicações históricas e culturais do último acto eleitoral, como se as motivações de voto dos vários grupos demográficos pudessem ser todas encaixadas na mesma grelha de análise. Mas também não tenho grandes ilusões que Alberto Gonçalves alguma vez perceba que nem tudo funciona com a simplicidade mecânica dos interruptores.

Nota: Alberto Gonçalves entende que esta ilustração do Pedro Vieira, recriando Obama de punho erguido no pódio olímpico de 68, é uma alucinação, própria de quem pretende que Obama recrie "o "black power" que "envolveu delitos comuns, violência, reivindicações de supremacia e segregação racial e ódio, imenso ódio". Sobre a alucinação estamos conversados. Quanto ao resto, é engraçado que Alberto Gonçalves refira que Tommie Smith e John "assinalaram, em pleno pódio, o desprezo pelo país que aceitaram representar".E é engraçado por que faz algumas décadas que estes atletas foram reintegrados pelo mainstream americano, fazendo parte da organização das olimpíadas de 1984, recebendo várias distinções e editoriais defendendo o seu gesto. A universidade de San Jose dedicou-lhes, até, uma estátua. Alberto Gonçalves está atrasado umas décadas. O que até lhe confere uma imagem de modernidade em relação a tudo o resto que escreve.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (63) | partilhar

por Pedro Sales



Se os eleitores brancos se dividiram entre McCain e Obama, mas este último concentrou “na quase totalidade o voto preto” é porque o racismo dos brancos americanos é “uma memoria triste”, mas "o racismo dos pretos americanos é, se calhar, uma questão actual". Alberto Gonçalves assina os seus artigos como sociólogo, mas olha para o mundo da forma que um programador informático olha para o ecrã. Por muito complexo que seja, não há problema que escape a uma lógica binária. Não recorrendo a zeros e uns, a ferramenta de Gonçalves são os adjectivos. A metro.

Obama foi o primeiro candidato presidencial em mais de 200 anos de democracia nos EUA. Muitos negros, a maioria?, nunca acreditaram ver um presidente afro-americano em vida. A história parecia dar-lhes razão. Não é preciso recuar muito. Há 50 anos ainda havia estados que dispunham de autocarros para brancos e autocarros para negros. O mesmo se passava com as escolas. Mas Alberto Gonçalves acredita que, perante a realidade da discriminação e o poder simbólico de eleger um presidente como Obama, foi o racismo que empurrou os afro-americanos para votar massivamente num “dos seus”. Que a mais antiga democracia do mundo tenha conhecido mais de 100 candidatos brancos e só um negro é um despiciendo pormenor que não apoquenta Alberto Gonçalves. É racismo, diz, fazendo tábua rásua das implicações históricas e culturais do último acto eleitoral, como se as motivações de voto dos vários grupos demográficos pudessem ser todas encaixadas na mesma grelha de análise. Mas também não tenho grandes ilusões que Alberto Gonçalves alguma vez perceba que nem tudo funciona com a simplicidade mecânica dos interruptores.

Nota: Alberto Gonçalves entende que esta ilustração do Pedro Vieira, recriando Obama de punho erguido no pódio olímpico de 68, é uma alucinação, própria de quem pretende que Obama recrie "o "black power" que "envolveu delitos comuns, violência, reivindicações de supremacia e segregação racial e ódio, imenso ódio". Sobre a alucinação estamos conversados. Quanto ao resto, é engraçado que Alberto Gonçalves refira que Tommie Smith e John "assinalaram, em pleno pódio, o desprezo pelo país que aceitaram representar".E é engraçado por que faz algumas décadas que estes atletas foram reintegrados pelo mainstream americano, fazendo parte da organização das olimpíadas de 1984, recebendo várias distinções e editoriais defendendo o seu gesto. A universidade de San Jose dedicou-lhes, até, uma estátua. Alberto Gonçalves está atrasado umas décadas. O que até lhe confere uma imagem de modernidade em relação a tudo o resto que escreve.

por Pedro Sales
link do post | comentar | ver comentários (63) | partilhar


pesquisa
 
TV Arrastão
Inquérito
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador