Quarta-feira, 1 de Agosto de 2012
por Miguel Cardina

O relatório da CMVM mostra que os gestores são uma casta que acumula presenças em diferentes lugares de administração. Não é mérito; é poder. Basta um bocadinho de atenção (ou ler/ver Donos de Portugal) para perceber como esta elite empresarial se ancora no centrão político para aí olear as suas redes de influência e capturar o Estado. Dizer que "a culpa é dos políticos" e que estes "são todos iguais" é confundir os vampiros com o reino animal. O que, como é sabido, dá um jeitaço aos primeiros.


por Miguel Cardina
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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011
por Miguel Cardina

 

Depois de Debtocracy, vem aí Catastroika - um filme sobre os processos de privatização, os seus custos e os seus efeitos. É feito por gregos mas é como se fosse feito por nós.


por Miguel Cardina
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Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Definitivamente, o nosso caríssimo ministro da Saúde está a mostrar serviço. Seria de esperar, com o seu currículo. O homem com a fama de ter endireitado a Direcção-Geral de Impostos - fama e proveito, diga-se, e nisto da cobrança de impostos a eficiência cai sempre bem à direita, sobretudo quando a mão fiscal não chega às contas fora do país e às grandes fortunas e limita-se a ser inflexível como quem não pode fugir, a agora sacrossanta classe média assalariada e os profissionais liberais. Mas adiante. O homem que conseguir cobrar mais impostos do que os seus antecessores tornou-se uma espécie de messias para um hipotético governo de direita. E quando a direita chega ao poder, lá está ele. Paulo Macedo corre mesmo o rico de ser o único ministro unânime de um Governo rapidamente caído em desgraça. As comadres do PSD - Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes e até o todo-o-terreno Vasco Graça Moura - apressaram-se a dar estaladas no bebé da incubadora e agora preparam-se para esmagá-lo impediosamente. Enquanto isso, o catita Passos Coelho saltita por Berlim e Bruxelas em nobre missão de apajamento da longínqua suserana do país, deixando o governo entregue a um novato da política, Vítor Gaspar, que se multiplica em anúncios de medidas e entrevistas televisivas, e a um estranhamente ausente Álvaro, chamado três vezes ao parlamento e três vezes negando (como Tomé) a pretensão dos aborrecidos deputados. Não iremos especular sobre um possível retiro espiritual em Montreal; debrucemo-nos antes sobre o herói - até agora - deste Governo, Paulo Macedo. Competência não lhe falta, julgando não só pela referida eficácia na DGI mas também pelo invejável currículo na área da Saúde. Um cínico poderia dizer que não, ele não tem experiência na área da Saúde. Mas caramba, picuinhices, meus amigos, isso são meras picuinhices. Alguém que foi vice-presidente (não executivo) de várias empresas do Millenium BCP, a saber, Grupo Segurador; Ocidental e Médis, Companhia Portuguesa de Seguros de Saúde (entre outras), está mais do que habilitado a tomar conta do sector e a tornar rentável o que é um peso enorme para o Estado. E as medidas anunciadas nos últimos dias indicam que se vai no bom caminho - talvez por isso eu não entenda a irritação deste senhor (e não se preocupe, que eu não me senti mal tratado; já pelo Governo que o senhor apoia, isso é outra história), primeiro porque não explica porque está irritado e segundo porque eu percebo muito bem - que absurdo achar-se o contrário - que "o nosso país de direitos e regalias para todos está alegremente falido"; por isso é que o Governo PSD/CDS está a trabalhar no sentido de transformar este num país de direitos e regalias para alguns. E Paulo Macedo é um dos pontas-de-lança do processo de demolição do Estado Social em curso. Por esta razão, parece-me também absolutamente natural que ele tenha escolhido um antigo gestor do BPN que levou duas empresas na área da Saúde à falência - ou perto disso - para liderar um grupo que vai estudar a criação de mecanismos que "sejam incentivadores de geração de receita própria". Um serviço social que gera receita não será um ovo de Colombo; os hospitais EPE são o exemplo vivo disso: geram receita à conta dos dinheiros que recebem do Estado. Já os hospitais públicos, é a desgraça que se conhece: dão um prejuízo brutal tratando de doentes de todas as classes sociais. Onde já se viu? Temos, definitivamente, de acabar com este estado de coisas. Por isso fica aqui o meu agradecimento e uma ou duas sugestões a Paulo Macedo: que tal fundir os hospitais e os centros de saúde com as repartições das finanças? Ou os bancos de sangue com os gabinetes de atendimento da Médis? Os recursos que se poupariam deste modo, a "receita" que não se recolheria! 


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Em quatro Passos:

 

- Nomear como ministro da Saúde alguém ligado a diversas empresas com interesses nesse sector.

 

- Anunciar cortes que levarão a uma degradação significativa do Serviço Nacional de Saúde.

 

- Nomear alguém próximo para estudar os cortes e pensar numa solução que passe pela criação de mecanismos que "sejam incentivadores de geração de receita própria", de preferência tendo passado por empresas acima de qualquer suspeita, como é o caso do BPN, alguém que se possa invejar de ter um currículo inigualável na área da gestão de serviços de saúde e que possa constituir com sucesso uma comissão liquidatária do sector.

 

- Entregar o que restar à gestão de privados (de preferência, às diversas empresas por onde o ministro passou), transformando um direito humano universal num direito a que só pode aceder quem tem (muito) dinheiro. 


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011
por Sérgio Lavos

 

Vítor Gaspar & Professor Astromar


por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
por Miguel Cardina

 

Tem graça: depois de ter sido eleito um governo que não só promete cumprir o programa da "troika" mas "ir mais longe", depois de nos terem dito que o melhor era não apontar as críticas aos mercados e às agências de rating porque isso escalava o nervosismo, depois disso tudo e de mais umas quantas frases de antologia, Portugal chega ao patamar do "lixo". Ainda esta semana pude ver o Inside Job e dá bem para perceber como os critérios de cotação das agências de ratings são, no mínimo, duvidosos - e no máximo, criminosos. E é assim que cada vez mais temos pela frente um caminho que se bifurca: ou aceitamos a austeridade do modo como está ser imposta na Grécia ou dizemos, como se escreveu num manifesto há uns meses atrás, que "o inevitável é inviável".


por Miguel Cardina
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2011
por Miguel Cardina


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Terça-feira, 12 de Abril de 2011
por Miguel Cardina


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Segunda-feira, 14 de Março de 2011
por Sérgio Lavos

 

 A hora dos vampiros parece não ter fim. Nada, nem ninguém, consegue arrancar os dentes cravados no pescoço dos portugueses. Contudo, no meio de tanta sangria, ainda bem que há medidas realmente necessárias e justas que serão de imediato implementadas; toda a gente sabe que o golfe desvia muitos jovens da droga ou de mestrados com passaporte para o desemprego. O caminho para o desenvolvimento é este: transformarmos o jardim à beira-mar plantado num gigantesco resort para os banqueiros alemães poderem vir gozar as merecidas férias depois de divididos os lucros conquistados à conta das medidas de austeridade aplicadas em Portugal. Aplaudamos.


por Sérgio Lavos
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