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Arrastão: Os suspeitos do costume.

O país dos "anti-americanos primários”

Pedro Sales, 23.09.08


Um estudo de opinião ontem revelado nos EUA indica que apenas 19% dos americanos aprovam as políticas da administração Bush e que uns inimagináveis 0% (isso mesmo, zero, ninguém, nada, nem um para amostra) dos cidadãos acreditam que a economia está a melhorar. Para usar um argumento que tem sido recorrentemente utilizado neste cantinho à beira mar plantado, sempre que alguém de esquerda critica Bush e companhia, é caso para dizer que não há país com mais "anti-americanos primários" que a América.

O país dos "anti-americanos primários”

Pedro Sales, 23.09.08


Um estudo de opinião ontem revelado nos EUA indica que apenas 19% dos americanos aprovam as políticas da administração Bush e que uns inimagináveis 0% (isso mesmo, zero, ninguém, nada, nem um para amostra) dos cidadãos acreditam que a economia está a melhorar. Para usar um argumento que tem sido recorrentemente utilizado neste cantinho à beira mar plantado, sempre que alguém de esquerda critica Bush e companhia, é caso para dizer que não há país com mais "anti-americanos primários" que a América.

O país dos "anti-americanos primários”

Pedro Sales, 23.09.08


Um estudo de opinião ontem revelado nos EUA indica que apenas 19% dos americanos aprovam as políticas da administração Bush e que uns inimagináveis 0% (isso mesmo, zero, ninguém, nada, nem um para amostra) dos cidadãos acreditam que a economia está a melhorar. Para usar um argumento que tem sido recorrentemente utilizado neste cantinho à beira mar plantado, sempre que alguém de esquerda critica Bush e companhia, é caso para dizer que não há país com mais "anti-americanos primários" que a América.

Voz da América

Daniel Oliveira, 07.07.08


Os posts que aqui escrevi em baixo, sobre a minha viagem a Nova Iorque e Washington, não são uma reportagem. Não chegam a ser uma opinião sobre os Estados Unidos (uma realidade quase tão diversa como a da Europa) ou mesmo sobre as duas cidades. Não basta uma visita para tanto. São impressões de uma viagem. Seguramente influenciadas pelas opiniões que já levava do país sobre o qual todos mais vamos sabendo no Mundo. Mas fiz nesta viagem o que faço em todas: mantive a abertura de espírito para tentar perceber um pouco que fosse do lugar onde estava com todas as suas contradições, que não são poucas. E acima de tudo para gostar das pessoas, que é como se deve ir aos lugares. E gostei muito.

Não me surpreendeu. Só quem é dominado pelos piores sentimentos, os que são a base da xenofobia, se sente mal ou bem entre um povo por causa das opiniões que tem sobre o papel de uma nação ou de um Estado em determinado momento no Mundo. Gostei dos americanos, assim como gostei dos israelitas, dos alemães, dos sírios ou dos turcos, só para falar de alguns dos povos que conheci nos seus próprios países.

Viajar é um luxo a que nem todos podem aceder. Mas só é um luxo porque é caro. Não deixa de ser uma absoluta necessidade. Pelo menos para mim: ajuda sempre a relativizar tudo. Muitos dos que falam de cátedra sobre outros povos, aqueles que hoje são transformados em demónios, deviam tentar o mesmo. Porque tudo é sempre mais complicado.

Feita a viagem sou tão anti-americano e tão pró-americano como antes. Nem uma coisa nem outra. Anti-imperialista (expressão caída em desuso) serei sempre. Seja quem for o imperador, por melhor que seja o seu povo.

Todas as fotografias aqui publicadas são minhas e da Sofia. A qualidade teve de ser drasticamente sacrificada para não tornar o peso do blogue insuportável. E mesmo assim temo o pior. Aqui ficam as impressões de umas férias. E é isso que foram: apenas umas férias. Espero voltar o mais depressa possível para ser mais do que apenas isso. Pode ler todos os posts na categoria Voz da América.

Voz da América XII: Staten Island, os relvados e o resto

Daniel Oliveira, 07.07.08


Staten Island é uma ilha e a sul de Nova Iorque. Faz parte da cidade mas não parece. Aí encontramos uma imagem do que serão o subúrbios dos EUA onde vive a classe média, com relvados impecáveis e casas de gosto duvidoso. Uma vida arrumada e perfeita sem vizinhos indesejáveis. Foi aí que me pareceu chegar quando desaguei, saído do metro de superfície, num pequeno bairro de moradias. Um deserto sem gente na rua nem cafés onde parar. Até ao regresso de autocarro. À medida que nos aproximávamos do norte da ilha mudava a qualidade das casas e a cor das pessoas. E vi o mesmo em Washington, em Brooklyn e em Manhatan. A condição social e a cor são parentes próximos. E se ser rico nos Estados Unidos é ser rico, ser pobre é ser mesmo pobre. Foram-me contadas histórias de novos pobres. Gente que adoece e não tem seguro que chegue e por isso falta ao trabalho e por isso perde o emprego e por isso perde a casa. É o outro lado do sonho americano. O pesadelo americano. Quem vence vence mesmo. Quem perde, perde a sério.

Voz da América XI: Baseball no Central Park

Daniel Oliveira, 06.07.08


O Central Park é uma ilha de calma no meio do caos. E não me lembro de ter encontrado em qualquer cidade um lugar tão simpático para estar. Mesmo eu, que sou pouco dado a pic-nics, cedi e gostei. Mas no meio do passeio, que se teve de dividir por dois dias, o que mais me prendeu a atenção foram os jogos de baseball entre amadores. A prova de que é injusto o olhar snobe dos europeus em relação aos americanos: quem consegue perceber as regras daquele jogo consegue perceber tudo. Se bem que as paragens recorrentes dos jogadores para discussões sobre o que sucedera me fizeram duvidar das suas certezas sobre o assunto.

Voz da América X: Orgulho com merchandising

Daniel Oliveira, 06.07.08

Clicar em cada imagem para ampliar. Má qualidade para reduzir o peso e porque as fotografias foram tiradas de longe.

Um exemplo de como a América é o mais contraditório dos países. Um país de acção e reacção e de opostos. Longe da nossa indefinição, que parecemos gostar de alimentar (no meio é que está a virtude, nem tanto ao mar nem tanto á terra, os extremos tocam-se, enquanto o pau vai e volta folgam as costas...), os confrontos nos EUA são claros e os lados dele também. E por isso a luta dos homossexuais, como a dos negros, a das mulheres ou a dos imigrantes, é tão assertiva.

Na Marcha do Orgulho Gay de Nova Iorque centenas de milhares de pessoas juntaram-se na 5ª Avenida. É um dos principais acontecimentos da cidade. Quase todas as comunidades estão representadas (latinos, asiáticos, caribenhos, italianos, judeus, negros) e as profissões mais improváveis também (polícias e bombeiros fardados e com a bênção das suas corporações), os funcionários gays das grandes empresas marcham com o apoio do seu empregador, centros comunitários dos bairros mais pobres, igrejas mais liberais, pais de homossexuais e políticos democratas, do governador do estado a um senador e vários congressistas, passando por activistas de partidos ultra-minuritários de esquerda e apoiantes locais da candidaura democrata à presidência que distribuem autocolantes onde se pode ler “Obama Pride”. Saltam a vista três coisas: a dimensão e importância do acontecimento, tudo parecer dividir-se por comunidades e identidades segmentadas e a comercialização da marcha. Os funcionários das empresas distribuem merchandising e várias marcas financiam o acontecimento, o que mereceu, este ano, críticas das organizações LGBT mais politizadas. Não espanta. Nova Iorque não é a América. São meio milhão de homossexuais na área metropolitana. Também são meio milhão de consumidores.

Os conflitos são claros nos EUA. Mas o mercado é quase um consenso.

Voz da América IX: O jardim é nosso

Daniel Oliveira, 06.07.08


Que nos Estados Unidos o privado toma conta de tudo é uma verdade quase indesmentível. Quase. Porque todas as verdades são contraditórias. E a verdade é que em Nova Iorque o espaço público é muito mais público do que nas cidades portuguesas. Ele é apropriado por todos e muito mais usado do que por cá. Já nem falo de do central Parque, que nos faz pensar porque raio temos Monsanto tão divorciado da cidade. Falo apenas das pequenas praças e jardins e do que nele acontece. Sem esperar nem procurar, tropecei em permanentes acontecimentos culturais gratuitos no meio da rua. Num jardim no extremo sul de Manhatan, a poucos metros de Wall Street, vejo Macbeth representado por uma companhia de teatro sem fins lucrativos. Corremos atrás dos actores (excelentes) no meio do jardim e estamos no meio da cena. No fim damos quanto quisermos dar e é-nos dado um papel para sermos pequenos mecenas e enviar mais pelo correio. Há imensas organizações como estas: culturais, de informação, políticas, de solidariedade social. Claro que a dimensão da cidade e do país ajudam. Mas a fraca participação política nos EUA é largamente compensada por uma enorme participação cívica.

Mesmo ao lado da 5ª Avenida, nas traseiras da pricipal Biblioteca Pública, numa noite quente o jardim está a abarrotar com centenas e centenas de pessoas sentadas no relvado a ver um velho clássico com Paul Newman. Uma iniciativa da HBO. Pode ser só publicidade. Mas pelo menos, em vez de se fechar um jardins, ele é usado para os cidadãos.

Voz da América VIII: A 5ª Avenida

Daniel Oliveira, 06.07.08

Clicar em cada imagem para ampliar. Má qualidade para reduzir o peso.


Não, não é a 5ª Avenida de Manhattan. A de Brooklyn, que é maior e muito mais cansativa. Mas mais interessante, também. Subir a avenida é como dar a volta ao Mundo. Se fosse uma cidade Brooklyn seria a quarta maior dos Estados Unidos. E provavelmente a mais cosmopolita do Mundo. Começa-se a subir. Primeiro os árabes, os libaneses de vários grupos, os turcos e os gregos. Depois os italianos. A seguir os latinos, especialmente mexicanos, mas também cubanos, porto-riquenhos, salvadorenhos... E nunca mais acaba. Depois os chineses e os coreanos, que se vão espalhando e infiltrando nas zonas dos outros. E negros, que nos os EUA são quase como se fossem estrangeiros e ali ainda são mais no meio de tanto latino e chinês. Muitas lojas baratas e restaurantes do mundo inteiro.

No caminho compra-se um almoço mexicano e leva-se para Sunset Park, onde as famílias latinas fazem os seus pic-nics. No cimo do jardim com vista para Manhattan atrás de chaminés fabris antigas e prédios degradados. No alto do jardim, nos bancos, os asiáticos jogam, claro. Os negros ouvem música e os latinos fazem barulho e comem gelados. Alguns brancos pobres, muito poucos, passeiam. Mais à frente o enorme cemitério de Brooklyn. E depois a volta ao mundo continua. Polacos, eslovenos e eslovacos, irlandeses...

Mas Brooklyn está a mudar. Aconteceu primeiro no Harlem, na Litle Itali e até em Chinatown, em Manhattan. Agora em Brooklyn e em Queens. A cidade cresce e a classe média vai ocupando os bairros mais próximos do centro. Já não é barato alugar ou comprar um apartamento aqui. As casas têm, apesar de tudo, a vantagem de ser maiores do que em Manhattan. E o ambiente é ainda mais vivo do que em Manhattan.